Tribuna do Leitor

Livro ano 2025


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Em 2005, a Scortecci Editora lançou meu livro Ano 2025. Relançou-o durante a Bienal do Internacional do Livro, em 2006. Nestes últimos dias, vendo pela TV as catástrofes acontecidas com as enchentes em toda a planície leste de Santa Catarina, por onde segue seu percurso o rio Itajaí Açu, vieram-me à lembrança diversas considerações inseridas nas páginas 63, 64 e 65 do meu livro supracitado. Por serem pertinentes, passo a transcrevê-las:

“Desde a fundação da cidade de Blumenau, em 1864, até o fechamento das comportas da Hidrelétrica de Itaipu, no rio Paraná, em Foz do Iguaçu, não ocorreram significativas enchentes no rio Itajaí Açu, que margeia as cidades de Blumenau, Gaspar, Ilhota e desemboca no oceano, junto ao Porto de Itajaí.

As comportas da hidrelétrica foram fechadas em 1982. Em 1983, em 1984 e em 1994 (e agora em novembro passado) ocorreram enchentes desastrosas em todo o Vale do Itajaí, chegando o rio Itajaí Açu a subir mais de 14 metros de seu nível normal. No meu entender (continuação das páginas 64 e 65), o Lago de Itaipu, que vai da barragem da usina até as extintas 7 quedas, em Guaira, situada a 210 km ao norte, possuindo uma superfície de 1.350 km com uma profundidade média de 50 metros, evapora tanta água que uma parte não é retida pela condensação e resfriamento na altitude comum que, segundo cientistas, é de 4.000 metros. Acontece que, ficando acima dessa camada, torna-se rarefeita e é levada para outras regiões, principalmente para o leste, em direção ao Vale do Itajaí, empurrada pelos ventos oriundos da Cordilheira dos Andes.

Esse direcionamento é ajudado, por uma forte atração formada pelas extensas matas de araucária e pinus cembra existentes nas cabeceiras dos afluentes que abastecem o rio Itajaí, ao norte de Lajes, numa altitude de 800 metros. Daí, até chegar à cidade de Blumenau é apenas 100 km. Nesse espaço, é que começa a precipitar-se todo aquele grande volume de água condensado, tornando caudalosas as águas do Itajaí, que passam a correr numa velocidade exagerada e inundando toda a planície do vale, situada numa altitude sobre o nível do mar de apenas 30 metros, em média”.

Finalizo esses textos narrando que tais problemas, na minha ficção, foram solucionados com as construções de barragens e represas de contenção à montante do rio Itajaí, antes da chegada em Blumenau, próximas às desembocaduras dos rios Hercílio, Itajaí do Oeste, em Apiúna, Lontras e Indaial, nos anos 2010 e 2012.

Relembrando este trecho do livro e trazendo-o à tona, estaria colaborando? Atenciosamente.

José Perea Martins - membro da Academia Bauruense de Letras

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