Na Capital mais antiga do Novo Mundo, Santo Domingo, a muralha original do século 16 continua cercando a cidade antiga, com canhões nas ameias. A sensação é a de que viajamos de volta ao tempo dos piratas, corsários e bucaneiros caribenhos. Nem todos foram bandidos. É preciso distingüir os vários tipos de aventureiros, para salvaguarda da memória de tantos espadachins, cujas aventuras conhecemos pelo cinema: corsário é o que ataca navios mercantes de bandeira inimiga com a devida autorização do governo do país beligerante a que serve, por patriotismo; pirata é o ladrão que cruzava os mares com o único fito de roubar; bucaneiros eram os piratas que infestavam as Antilhas nos séculos 16 e 17.
Um deles Pet´a Palo - o Pet Perna-de-pau - montou uma taberna na boca do Rio Ozama, em 1505, que até hoje existe. Talvez a mais antiga do mundo em funcionamento. Peça uma “picadera mista”, prato com camarões, chouriço, presunto, queijo, salada e cesta (canasta) de pães.
Na mesma vizinhança da Praça de Espanha se concentram vários outros bares muito requisitados pelos turistas à noite. Nas mesinhas sobre a calçada se misturam suecas branquérrimas, com mulatas dominicanas roliças, em shows de merengue, salsa, rumba e bachata, outro ritmo caribenho.
Vale a pena entrar para conhecer o Museu del Jamón, ao estilo madrilenho. O visitante vê, penduradas no teto, dezenas de peças de pernil curtido. É museu, mas é bar. Experimente o presunto da casa. Enquanto espera ser atendido, leia o que dizem os azulejos da decoração. “Viva o amor livre. Leve minha sogra e me dê sua mulher”. Na República Dominicana o imposto de 12% é agregado (IVA) ao valor da conta, mais a taxa de serviço de 10%.
Visita obrigatória
Bem em frente, do outro lado da Praça Espanha está o Alcázar de Colón, todo iluminado. É ponto de visita obrigatório durante o dia. A magnífica construção fica no alto da Calle de las Damas. Palácio construído para o filho de Colombo, Diego e sua esposa, sobrinha de Fernando, rei da Espanha. Diego foi governador da colônia em 1509 quando Santo Domingo era chamada de “Pequena Espanha”. Construído em pedra calcárea coral nativa, o palácio fica à margem do Rio Ozama, que até hoje dá calado para a atracação de navios. Foi muito bem restaurado, tem móveis e armas autênticas do tempo colonial e pode ser visitado.
Tratando-se de arquitetura colonial, um dos principais lugares de Santo Domingo é a Catedral de Nossa Senhora Santa Maria da Encarnação, a igreja mais antiga das Américas. Colombo esteve enterrado ali. Seus restos mortais foram trasladados para outro local, o Farol de Colombo, em 1986. O turista que vai a Sevilha, na Espanha, ouve dizer que Colombo está ali sepultado. Quem visita Cuba ouve a mesma coisa com relação à Catedral de Havana. Seria o Farol de Colombo o “legítimo” repositório dos restos mortais do navegador genovês? Ninguém quer brigar por causa disso... O altar-mor de ouro, coral e pedra calcárea da igreja é um exemplo típico da Renascença Espanhola, com traços góticos e barrocos.
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Culinária crioula e merengue
Em Santo Domingo os turistas não deixam de reservar um tempinho para um almoço crioulo no El Conoco (Rua Casimiro Moya, 152). Conoco pode ser traduzido como horta, ou quintal onde se cultivam verduras, frutas e legumes. A cozinha dominicana nasceu da mestiçagem das culturas dos índios taíne e dos escravos africanos.
O restaurante típico tem instalações simples, com teto de sapé, mas serve produtos de qualidade. A comida servida no bufê leva muita banana na receita. Completa o cardápio, carne com tempero picante, feijão cozido em panela de barro e doces em compota como a “uva-do-mar”, uma frutinha que dá na praia.
Brasileiro não vai estranhar o tempero, que é bastante parecido com o nosso. Experimente o “mofongo”, espécie de pirão consistente. Ele é feito com banana amassada, carne de porco frita e alho. Outro prato típico é o “chivo cibaeño”. Carne de cabrito e verduras são cozidos em vinho tinto e rum. Uma das refeições mais apreciadas pelos nativos, a ponto de ser chamada carinhosamente de “bandeira dominicana”, é conhecida dos brasileiros: frango frito com feijão e arroz. Só o tempero é um pouquinho mais forte.
Diariamente há shows de dançarinos meio acrobáticos, que rodopiam ao som do merengue em torno da “boquinha da garrafa”. A casa é decorada com artesanatos que podem ser comprados na lojinha da porta.
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História de lutas teve participação do Brasil
A luta para chegar a essa exuberância foi muito dura. Colombo conquistou a ilha Hispaniola em nome dos reis católicos da Espanha, Fernando e Isabel. O território foi tomado pela França em 1795. Na guerra da Reconquista - em 1821 - voltaram para o domínio espanhol. Depois a república foi proclamada território dos haitianos. Em 1844 os dominicanos conseguiram se separar do Haiti. Um século mais tarde, em 1916, os EUA fincaram os pés, o que durou até 1924.
Depois que os norte-americanos partiram, Rafael Trujillo tornou-se ditador e varreu a oposição. Morreu metralhado em 1962, numa emboscada. Em 1961 o presidente Juan Bosh foi deposto por um golpe militar. Instalou-se uma guerra civil em 1965 que obrigou a uma intervenção dos norte-americanos e de tropas brasileiras, para assegurar a paz, a pedido da ONU.
Hoje, o presidente reeleito - democraticamente -, Leonel Fernandez, esforça-se para diminuir a pobreza e o desemprego. As facilidades turísticas são muito incrementadas. O visitante se sente seguro e goza de uma infra-estrutura invejável, proporcionada por hotéis de primeiríssima qualidade, excelentes serviços, instalações confortáveis e muito lazer.
A comida internacional é o ponto forte. Muitos hotéis adotam o sistema “all inclusive”. O turista compra o pacote no Brasil e está tudo incluído: alojamentos, comida, bebidas, traslados, passeios e mordomias. Nada com que se preocupar, a não ser aprender a dançar o merengue, ritmo que eles criaram e que conquistou o mundo. É fácil... dois pra lá, dois pra cá.
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Charutos e âmbar no centro histórico
Os dominicanos dizem que seus charutos são mais suaves e aromáticos que os cubanos, por causa do “terroir”, como os franceses chamam a terra especial para determinadas culturas. No caso, o tabaco. Quando Fidel Castro implantou o socialismo em Cuba, as tradicionais famílias tiveram suas terras expropriadas e foram para a República Dominicana. Fidel apropriou-se, inclusive das suas marcas de fama mundial. Por isso, em ambos os países fabricam-se Monte Cristo, Cohiba, Partagás e outras marcas igualmente disputadas pelos conhecedores.
É possível ver os artesãos trabalhando as folhas nas bancadas, até o acabamento final dos charutos e, evidentemente, comprá-los. Ali mesmo, no centro histórico, existe uma fábrica desde 1505. É incrível a habilidade do profissional, que chega a fazer dezenas de charutos por dia. O turista pode ter uma aula sobre a qualidade das folhas e tipos ali fabricados. Uma caixa de dez unidades da marca Cohiba custa por volta de US$ 100.
A famosa fábrica de charutos Davidoff fechou suas instalações em Cuba e mudou-se para a República Dominicana para ter acesso ao mercado norte-americano. A ilha de Fidel ainda está sob bloqueio econômico ianque. Tido como melhor de todos, o Fuente Fuente OpusX só está ao alcance dos milionários. A Boutique el Fumador (R. el Conde, 109) é considerada a melhor do país.
Outro item típico à venda no centro histórico é o âmbar. As famosas pedras são vendidas como jóias, em forma de colares, anéis, brincos e pulseiras. Encontrado na costa norte do país, o âmbar é uma resina fóssil de leve transparência, que dá o seu nome à cor e que, muitas vezes, guarda insetos fossilizados em seu interior. O Museu do Âmbar é vizinho à Fábrica de Charutos, em frente à catedral. É museu de se ver e comprar.