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Pacote a montadoras sofre oposição

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Washington - Em meio à queda nas expectativas por uma votação no Congresso dos EUA ainda na noite de ONTEM sobre o empréstimo de US$ 15 bilhões à GM e à Chrysler, o caminho para liberação da ajuda governamental às montadoras se tornou mais difícil com a declaração de oposição por parte de vários senadores republicanos.

Um grupo de congressistas contrários à proposta, incluindo o republicano conservador Richard Shelby (Alabama), afirmou que votará contra a medida quando ela chegar ao Senado. “A lei (que permite o empréstimo) não vai ajudar as montadoras a se tornarem competitivas. Vai apenas adiar seu funeral”, afirmou Shelby. “O dinheiro dos contribuintes vai ser desperdiçado”, acrescentou o republicano John Ensign (Nevada). “Se os CEOs dessas empresas não conseguiram gerenciá-las bem, como podemos esperar que um “czar’ ou político saiba tomar as melhores decisões para seus negócios agora?”

Uma das provisões do acordo exige a designação, pelo presidente George W. Bush, de um “czar” - uma espécie de Conselho de Administração de um homem só_ para supervisionar a restruturação.

O plano já foi acordado em princípio pela Casa Branca e por congressistas democratas, mas continuava tendo sua linguagem final modificada no começo da noite de ontem.

A idéia central é dar às empresas um prazo até 31 de março para oferecer um plano de restruturação de longo prazo. Se a restruturação for aprovada pelo “czar”, elas estariam aptas a novos empréstimos.

A GM e a Chrysler afirmam que serão forçadas a decretar falência se não receberem ajuda rápida. A Ford, em melhores condições, disse que não precisa de empréstimos de curto prazo, pedindo apenas uma linha de crédito federal. Mas as três empresas teriam de se submeter à restruturação supervisionada pelo governo.

Segundo Tom Coburn, senador republicano por Oklahoma, a proposta não é suficiente para forçar uma restruturação de base. “Vamos resolver um problema de curto prazo e criar outro maior de longo prazo.”

A oposição dos republicanos reavivou lembranças das críticas do partido ao plano de US$ 700 bilhões para o resgate de Wall Street, que acabou aprovado após dura batalha no Congresso. O centro do resgate de Wall Street, porém, estava na Câmara, enquanto o problema das montadoras será no Senado. Os democratas tem 49 votos na Casa, e são necessários 60 para aprovar o plano.

Com as dificuldades, democratas na Câmara e no Senado tinham versões um pouco diferentes da lei ontem. A principal discordância dizia respeito à eficiência de combustíveis. Ambas as Casas precisam aprovar leis idênticas antes de enviar a medida para sanção. Anida assim, o líder democrata no Senado, Harry Reid, disse esperar que o plano fosse aprovado no Senado nesta semana.

Expectativa

A Casa Branca havia informado ontem que o governo de George W. Bush e líderes do Congresso norte-americano chegaram a um “bom acordo conceitual” sobre o pacote de resgate às montadoas dos Estados Unidos.

Mas o vice-chefe de gabinete, Joel Kaplan, havia dito que ainda há “muitos rascunhos” circulando no Capitólio à medida em que os dois partidos trabalham nos detalhes finais.

“Fizemos um progresso significativo e temos um bom acordo conceitual”, afirmou. Ele havia acrescentado que um projeto final pode apresentar duas possibilidades às montadoras que receberem ajuda: reestruturação ou falência.

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