O tom de despedida marcou a última sessão ordinária da Câmara Municipal de Bauru, ontem. Apenas três dos atuais 15 vereadores conseguiram a reeleição, enquanto que Rodrigo Agostinho (PMDB) vai comandar a prefeitura. Os demais só devem voltar a se reunir ainda nesta legislatura em plenário se o prefeito Tuga Angerami convocar sessão extraordinária, conforme antecipou ao JC na semana passada.
A “cerimônia de despedida” começou com a vereadora Majô Jandreice (PC do B). Ela disse que passou por momentos difíceis em seus quatro mandatos. Única mulher na atual Câmara, Majô será substituída pela vereadora Chiara Ranieri (DEM) como representante do sexo feminino. “A Chiara será uma grande aliada nas questões das mulheres”, disse. “Não teremos uma sociedade justa sem a participação das mulheres”, completou.
Sobre sua despedida, ela citou que sempre estará participando da vida da cidade. “Cumpri meus mandatos com muita honra”. Outro vereador que deixa a Câmara é Paulo Eduardo Martins (DEM). Ele desejou boa sorte ao prefeito eleito e aos novos donos das cadeiras. “Bauru precisa de pessoas que trabalhem para a cidade e que não sejam individualistas”, comentou, mas sem citar nomes.
Paulo Eduardo comentou que é preciso reconhecer o resultado das urnas. “Não podemos desanimar. Temos que respeitar as regras do jogo”. Primo Mangialardo (PV) fez uma espécie de mea-culpa: “Peço desculpa para quem acreditou em mim em 2004 e não aprovou o meu trabalho para as eleições de 2008. Sempre poderia fazer um pouco mais”, avaliou. Mas Primo não perdeu a oportunidade de criticar o atual prefeito Tuga Angerami. “Deixar saldo e não realizar nada não adianta”, repetiu.
O discurso de Rodrigo Agostinho foi um afago na função exercida pelos parlamentares. “Aprendi muito na Câmara. O cargo de vereador deveria ser pré-requisito para outros cargos públicos”, disse.
Para o prefeito eleito, a atual legislatura foi difícil em função do prefeito ter tido de escolher entre equilibrar as finanças e realizar investimentos. “Os bairros ficaram com uma demanda muito reprimida”. A situação, em sua avaliação, gerou cobrança aos vereadores, embora Agostinho coloque na balança que o parlamento local tomou decisões importantes. “Aprovamos todos os projetos que relevantes para a cidade”.
Entre os que não quiseram disputar a reeleição está Toninho Garmes (PTB). Em seus 12 anos como vereador, ele revelou que colecionou muitas vitórias e decepções. “Nunca pratiquei nenhum ato desabonador e sempre representei a população sem qualquer tipo de preconceito”, contou.
Arildo de Lima Junior (PP) também se despediu desta legislatura. “Tivemos a intenção de melhorar a cidade, já que isto é a missão de quem recebe o voto popular. Se fizerem um bom trabalho (novos vereadores), a sociedade será beneficiada”, discursou.
Dono de uma cadeira por quatro mandatos, Futaro Sato (PMDB) também falou. “Trabalhei para a cidade que me acolheu em 1953”, disse. “A cidade só tem a ganhar com o trabalho competente e a luta da nova composição”, defendeu.