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Superlotação: drama da saúde


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É com grande pesar, mas sem muito espanto, que recebemos a notícia de que certos hospitais de referência de São Paulo enfrentam graves problemas de superlo-tação. Segundo a imprensa, em alguns, pacientes em macas aglomeram-se nos corredores à espera de atendimento. São casos de traumas tratados lado-a-lado a outros males, muitos vezes contagiosos. Esse cenário, aliás, infelizmente não é inédito nem para a imprensa muito menos para a sociedade.

Há anos vemos a triste conseqüência de um sistema incapaz de atender à procura, que é muito maior que sua capacidade. Falta de verbas, má distribuição de leitos, dificuldades administrativas. São várias as facetas apontadas por especialistas do setor. Outro fato é que o Programa de Saúde da Família, PSF, não cumpre adequadamente seu papel por ser insuficiente, ter problemas de estruturação, de falta de integração com a rede e de capacitação dos recursos humanos. São falhas que agravam ainda mais o gargalo da assistência, empurrando a população para os pronto-socorros dos hospitais.

Os pacientes são, enfim, vítimas da inconsistência de um sistema que, a despeito de ser dos mais avançados do mundo por sua universalidade e integralidade, padece pela insuficiência de recursos e de gestão. Há anos que as entidades médicas denunciam que a falta de financiamento adequado está transformando a rede de saúde em um circo de horrores.

Se o caos ainda não é completo, isso é um mérito de médicos, de outros profissionais de saúde e de alguns administradores competentes que lutam todos os dias, sem tréguas, para oferecer aos cidadãos uma assistência digna e de qualidade, mesmo tendo de superar tantas mazelas. Não podemos negar também que os governos estadual e municipal têm aberto portas para boas parcerias e tomado medidas corretas para a qualificação do atendimento.

A gravidade da questão, contudo, exige que a saúde pública seja tratada com respeito em todos os níveis e a toda hora, pois lidamos com vidas humanas, e não com máquinas. Não podemos mais ficar calados ante a insuficiência de recursos e materiais básicos nem à remuneração vil que afasta do serviço os melhores quadros.

Hoje, é de suma importância garantir uma política de investimentos no setor, para que possamos atuar na saúde básica, na alta e média complexidade de forma integrada e adequada. Daí a relevância da urgente regulamentação da Emenda Constitucional 29. O compromisso com a boa formação médica e a correta assistência aos cidadãos deve estar na ordem do dia de todos os brasileiros.

O autor, Jorge Carlos Machado Curi, é presidente da Associação Paulista de Medicina

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