Regional

DNP pára transporte na Tietê-Paraná

Por Aline Galcino | Especial da Folha da Região
| Tempo de leitura: 3 min

Araçatuba - A DNP Indústria e Navegação, maior empresa de transporte que opera na hidrovia Tietê-Paraná, demitiu os 200 empregados e parou o transporte fluvial. A decisão foi tomada na semana passada após o Comando do 8º Distrito Naval, órgão da Marinha do Brasil, suspender todos os sete comandantes da empresa.

Desde a semana passada, a empresa também não consegue autorização para trafegar na hidrovia. A DNP avisou oficialmente os clientes sobre o encerramento das atividades. Em nota, o Comando informou que a suspensão ocorreu em razão do descumprimento de normas de navegação na hidrovia por parte da empresa. O prejuízo imediato para a DNP por descumprimento de contratos de transporte é de R$ 2 milhões.

Cerca de 60 mil toneladas contratadas deixarão de ser transportadas pela hidrovia nos próximos 30 dias. Em um ano, deixará de ser transportada 1,2 milhão de toneladas de mercadorias, uma movimentação de R$ 800 milhões em valor de produtos. O número é referente ao volume de transporte feito pela DNP ao longo deste ano. A empresa é responsável pela movimentação de 70% da carga que passa pela hidrovia Tietê-Paraná. Os principais produtos transportados são soja, (grão e farelo) e açúcar.

Pendência

Segundo o diretor-executivo da DNP, Pedro Burin, a suspensão das atividades dos comandantes e a não autorização de tráfego ocorreram porque a empresa não pagou as multas aplicadas pela Marinha. “A Marinha entende que estamos pendentes por não termos pago as multas aplicadas e por isso não dá o passe de saída, o que é um absurdo, pois ainda não houve trânsito em julgado para as contestações. Não estamos com débitos”, justifica. As multas foram aplicadas porque a DNP não desmembrou comboios ao atravessar a ponte da rodovia SP-191, em Anhembi.

Novas regras

No lugar de regras binárias - sim ou não - a solução para os desentendimentos entre empresas e Marinha está na criação de regras paramétricas. A afirmação é do engenheiro naval Joaquim Carlos Teixeira Riva, formado pela USP (Universidade de São Paulo), mestre pelo MIT (Massachusetts Institute of Technology) e doutor/PhD pela POLI/USP.

Ele defende a criação de regras para cada uma das pontes ao longo da hidrovia que permitam a passagem dos comboios após análise das variantes como tempo, correnteza, ventos e visibilidade. “As pontes do Tietê-Paraná foram projetadas para embarcações pequenas, mas sob boas condições de tempo é possível passar sob as pontes sem desmembramento”, afirma. Para Riva, o desmembrar de barcaças sem necessidade significa perder tempo.

O especialista confirma que a ponte SP-191 é suficientemente larga para a passagem de comboios. No entanto, explica que o problema é o arco. “Ela não é como as demais pontes com tabuleiro reto, possui um arqueamento. Em virtude disso, se o reservatório de Barra Bonita estiver no nível máximo, reduz o vão útil da ponte. Se o reservatório estiver baixo, não há problema nenhum”, disse. “Por isso, reforço a necessidade de se criar regras paramétricas para estabelecer, por exemplo, o desmembramento a partir do nível x da água.”

Riva defende também investimentos, tanto na adequação das pontes para grandes embarcações, quanto em estudos técnicos para a criação das regras de navegação.

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