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Dr. Automóvel: GPS

Consultoria: Marcos Serra Negra Camerini*
| Tempo de leitura: 4 min

A evolução biológica se processa célula a célula ao longo de milênios, ao passo que a tecnológica dá saltos. Vimos a evolução da injeção eletrônica sobre o carburador, da ignição eletrônica sobre o distribuidor, do celular sobre o telefone fixo, da tecnologia digital sobre a analógica. Coisas que há 10 anos não existiam, hoje são imprescindíveis. Uma delas é o advento do GPS, Global Positioning System, ou sistema de posicionamento global. É um sistema desenvolvido pelo Departamento de Defesa americano com fins militares que usa satélites em órbita geoestacionária e que, através de triangulação de dados de três ou mais satélites, fornece a rastreadores em terra sua posição exata de latitude, longitude e altitude.

Um equipamento GPS militar tem uma precisão de alguns centímetros, o que teoricamente possibilita que um míssil lançado do mar possa entrar por uma janela em Bagdá. Este grau de precisão militar não foi compartilhado com os civis, que recebem o sinal com uma precisão de algumas dezenas de metros, o que na grande maioria das vezes é mais do que suficiente. Afinal, encontrar uma cidade ou uma rua com uma precisão de 50 metros não é nada mal, convenhamos.

A primeira utilização civil do GPS foi na localização das coordenadas de pontos específicos para navegação terrestre e marítima. A navegação aérea tem uma precisão maior, próxima da militar. O uso de GPS em trilhas off road e ralis foi generalizada, pois se marcavam o destino e os pontos de trajeto (chamados de “waypoints”) e daí seguia-se o percurso.

A evolução veio com os GPS de rua e estradas, equipados com mapas super atualizados que são ideais para quem viaja bastante e precisa localizar ruas em outras cidades. Funciona assim: coloca-se o GPS próximo ao parabrisas do veículo para ter a máxima leitura dos satélites no céu acima, sem interferências de prédios ou massas metálicas como a própria carroceria do veículo. Feita a leitura e sincronização com os satélites, o que pode levar alguns segundos inicialmente, o GPS localiza perfeitamente sua posição geográfica sobre um mapa, dizendo se está sobre uma estrada ou rua de cidade, identificando-a. Então, podemos fazer várias opções como traçar uma rota para algum destino, localizar pontos de interesse (POI) em cada local, programar trechos intermediários de passagem, como ir para uma determinada cidade e passar por outra antes, ou ir a um endereço passando pela padaria tal, assim por diante.

Parece mais um brinquedinho da moda mas não é, desde que seja bem usado. Claro que sempre existirão aqueles que colocam acessórios no carro para mostrar aos outros e nunca os usam realmente, mas estes são poucos e dispensáveis. Pessoas que não saem da cidade, só circulam nos mesmos lugares de casa para o trabalho ou para casa da mãe, obviamente não tem necessidade de ter um aparelho destes. Agora, imagine uma empresa de entregas, um taxista, um viajante, empresários com clientes espalhados por todo canto, que precisa de informações precisas de localização. Mesmo quando estamos em férias, procurando por cidades ou pontos turísticos, restaurantes, postos de gasolina, tudo isso consta nos mapas dos bons GPS no mercado. Leia muito bem o manual de uso do fabricante para poder fazer bom uso dele.

Como disse, o GPS parece um brinquedinho, mas não é e deve ser usado como uma ferramenta auxiliar de navegação. Não se precisa usar o GPS para fazer um caminho que se faz costumeiramente todo dia, mas para encontrar uma rua em um bairro que desconhece, por exemplo. A precisão civil pode pregar algumas peças dependendo do grau de precisão do mapeamento de uma cidade. Cidades grandes ou importantes são bem mapeadas, as demais são razoavelmente mapeadas e podem mostrar que se está em uma rua e na verdade estar em uma paralela, mas mesmo assim nos dá uma boa referência de sua localização.

Algumas regras de segurança devem ser seguidas à risca para evitar acidentes. Acostume-se a programar o roteiro antes de dar a partida no veículo, com o GPS nas mãos. Depois que sair com o carro, apenas olhe para o visor em condições ideais de segurança e não de forma a correr o risco de se distrair. Instale o monitor em local que não atrapalhe a visão frontal direta e que possa ser alcançada pela visão periférica sem muito esforço.

Boa viagem!

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* Marcos Serra Negra Camerini é engenheiro mecânico formado pela Escola Politécnica da USP, pós-graduado em administração industrial e marketing e engenharia aeronáutica, com passagens como executivo na General Motors (GM) e Opel. Também é consultor de empresas e é diretor geral da Tryor Veículos Especiais Ltda.

Seu site é www.marcoscamerini.com.br.

Sugestões para a coluna e perguntas à seção Correio Técnico devem ser enviadas ao e-mail automerc@jcnet.com.br ou à redação do Jornal da Cidade, na rua Xingu, 4-44, Higienópolis. É obrigatório informar nome completo, RG, endereço e contato (telefone ou e-mail).

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