Economia & Negócios

Sindicalista critica pacote anticrise

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 2 min

O professor José Geraldo Corrêa Júnior, dirigente da Coordenação Nacional de Lutas (Conlutas) e do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), criticou o pacote de combate à crise dos governos federal e estadual ontem em Bauru. Ele ministrou palestra, à noite, na sede do Sindicato dos Bancários, sobre os efeitos da crise mundial no País.

Em entrevista antes do evento, Corrêa Júnior disse que o Governo Federal errou logo no início da crise, quando divulgou que o problema seria restrito aos países ricos. “Em seguida foi falado que o Brasil sentiria apenas uma marolinha. Agora já falam em tsunami”, diz.

Ele afirma que a crise já chegou ao País e deverá ser devastadora no ano que vem. “Empresas como a Vale do Rio Doce e a Embraer já anunciaram a demissão de milhares de funcionários. A Fiat deu férias coletivas para seu trabalhadores e ameaça demissões”, enumera. Outro problema destacado por ele é a maneira que muitos empresários encaram um momento de crise.

“Quando a economia estava em crescimento e os sindicatos com maior poder de barganha, não se falava em alteração da CLT (Consolidação das Leis Trabalhistas). Agora, que o poder passou para as mãos dos empresários, que podem demitir e empregar nesse momento de crise, volta a se discutir a flexibilização”, afirma.

O pacote recente lançado pelo governo Lula, que diminui a carga tributária e aumentou as linhas de crédito para incentivar o consumo, é avaliado de forma negativa por ele. “Num cenário de crise, chamar as pessoas a comprar e se endividarem é uma política assassina do presidente”, critica. “Quando muitas dessas férias coletivas acabarem, muita gente será demitida. E como vão pagar por aquilo que compraram neste final de ano? Essa bomba vai explodir”, opina.

Corrêa Júnior também criticou a verba de crédito de R$ 4 bilhões oferecida pelo governo do Estado a 15 financeiras ligadas a montadoras. “O Serra (governador José Serra) vendeu o único banco público de São Paulo e entregou esse dinheiro às montadoras. Esse banco não foi vendido, foi entregue a essas empresas”, destaca. Ele frisou que o valor entregue à uma das montadoras é quase o dobro do que ela vale atualmente, depois das perdas financeiras registradas com a crise. “Se você quiser comprar a GM mundial, você terá de ter R$ 1 bilhão”, afirma.

O professor explicou que o objetivo da palestra de ontem é preparar os sindicalistas para discutirem a crise e seu impacto nos movimentos que atuam. “Esse ano ela já deu as caras e em 2009 deverá vir em dose cavalar. E não podemos admitir que a corda arrebente do lado mais fraco”, afirma.

Comentários

Comentários