Desde ontem a Associação Hospital de Bauru (AHB) – entidade que administra o Hospital de Base e a Maternidade Santa Isabel – tem novo superintendente. Depois de três anos no cargo, Reinaldo Rocha deixou a entidade para se dedicar à coordenação política do deputado estadual Pedro Tobias (PSDB). Para o lugar de Rocha, foi escolhido o já funcionário da entidade Vladmir Scarp. Ele assume a entidade num ano que a AHB divulgou que acumula aproximadamente R$ 50 milhões em dívidas.
O presidente da AHB, Joseph Saab, afirmou que está em andamento um projeto com a Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo para sanar o problema financeiro. “A AHB, assim como as Santas Casas e hospitais que dependem de verba do SUS para sobreviver, enfrenta problemas”, avalia. Ele lembra que desde 1994 a inflação acumulada foi de mais de 200%. Mas nesse mesmo período, o reajuste feito pelo Governo Federal na tabela do SUS para custeio de procedimentos hospitalares não chegou a 38%.
Saab lamentou a saída de Rocha e afirmou que tentou convencê-lo a ficar. “Tentei demovê-lo da idéia. Mas ele foi trabalhar com o deputado Pedro Tobias”, afirma. O presidente da AHB destaca que Scarp e Rocha já trabalhavam juntos, o que facilitará a mudança. Mas a troca de direção já estava em andamento desde agosto. “Eles estão fazendo a transição há alguns meses. Além disso, Reinaldo já se colocou à disposição para sanar dúvidas e auxiliar em qualquer coisa”, destaca Saab.
O Jornal da Cidade tentou entrar em contato com Scarp, mas ele não foi localizado. A AHB é responsável pela maternidade que atende pelo SUS em Bauru e pelo Hospital de Base, única entidade especializada no atendimento de urgências e emergências na cidade, que recebe cerca de 1,1 mil pacientes ao dia, entre casos ambulatoriais, laboratoriais e exames como raio-x.
“Minha passagem pela AHB foi bastante positiva. Fui chamado para ficar um ano e meio e acabei permanecendo 40 meses”, contabiliza Rocha. Ele explica que ultimamente trabalhou para acertar o projeto com a Secretaria Estadual de Saúde para a reestruturação da entidade e o plano de capacitação de gerenciamento na AHB.
Sobre a dívida da entidade, ele avalia que o problema só será sanado com a reestruturação dos repasses do SUS. Ele afirma que atualmente a AHB recebe R$ 31 milhões por ano do Governo Federal para custear todos os atendimentos via SUS feitos pela entidade. De acordo com Rocha, o Hospital Estadual, que é gerenciado por uma Organização Social Civil de Interesse Público (Oscip), recebe R$ 63 milhões por ano.
Ainda assim, ele informa que a AHB adquiriu com recursos próprios seis máquinas para hemodiálise e deve comprar outras no próximo ano. “Além disso, foram trocadas todas as cadeiras utilizadas nesse tratamento. Dessa forma, cobrimos a demanda de 138 pacientes”, avalia.
Política
Em janeiro, Rocha vai para o escritório do deputado Pedro Tobias, em Bauru. Entre os projetos, que já deverá implementar nos primeiros dias na articulação política para o deputado, é o lançamento de um blog. O www.pedrotobias. com.br estará no ar com atualizações constantes. “Será um espaço para a população se comunicar com o deputado. Poderão ser enviadas perguntas, dúvidas, sugestões sobre questões orçamentárias e políticas. A idéia é responder claramente à população”, explica. Com isso, Rocha acredita que intensificará a aproximação dos moradores de Bauru e região com o deputado.
Além disso, afirmou que atuará na coordenação e articulação regional. “Pedro Tobias já mantém um relacionamento muito estreito com os prefeitos da região. Além disso, os novos prefeitos eleitos, mesmo os que não são do mesmo partido, têm no deputado um referencial”, avalia. “A partir de janeiro, vamos focar na campanha e trabalhar pelo partido em Bauru e região”, diz.
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Verba
A AHB deve receber ainda neste ano recurso de R$ 500 mil, que será empregado na compra de equipamentos para as Unidades de Terapia Intensiva (UTI) da Maternidade Santa Isabel. O repasse foi conseguido pelo deputado Pedro Tobias (PSDB) e já teria sido liberado pelo secretário estadual de Saúde, Luiz Roberto Barradas.
De acordo com a entidade, a verba será destinada à aquisição de berços aquecidos e monitores individuais para cada um dos 12 leitos de UTI – oito neonatais e quatro infantis – da maternidade.