Tribuna do Leitor

Então, fecho os olhos e faço de conta que ouço


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São tantos os e-mails, pps e orações no meu monitor a louvar Deus e Jesus Cristo...

Então, fecho os olhos e faço de conta que ouço. Se existissem computadores quando aí estive fisicamente, não os usaria para me revelar e nem ao nosso Pai. Nem nestes chamados tempos modernos. O tempo não mudou. Pessoas mudaram. Escrevem sobre nós e na cegueira e surdez a fé é deletada às transmissões e aos recebimentos das mensagens. Muitos não amam senão a si próprios, conduzidos pelo mal maior da humanidade: o egoísmo.

Meus olhos fechados invadem a história da humanidade. Ah, tudo que o homem fez e não deveria ter feito, e tudo que deveria ter feito e não fez! Encolhido no cantinho da razão, o livre arbítrio constrangido ao sabor dos caprichos e das ambições. A liberdade da escolha para o bem comum esquecida. Triste ao ver portas escancaradas para a imoralidade e crimes, incentivados pela impunidade das leis dos homens.

Então, fecho os olhos e faço de conta que ouço. A escolha do homem está voltada para a vaidade, orgulho e o poder, cruel parceiro do egoísmo. Reza com os lábios.(...Este povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está longe de mim. Mc 7.6) Apesar da Palavra, o egoísmo cresce dominador a levar a espiritualidade ao esquecimento e a castigar os fracos e os humildes. A insensatez fortalece a abjeção, desfigura a piedade e enfraquece o perdão.

O homem ignora o amor ao próximo, a solidariedade e a tolerância. O cimento e a cal, o carro do ano, o talher de prata, a taça de cristal, o telefone celular última geração, calam o amor fraternal. A ambição o cega e o leva a desprezar a espiritualidade e a graça da ressurreição. Olvida a generosidade e a indulgência do Pai por suas omissões. Quanto mais Jesus se aproxima, o homem mais se afasta, condutor cínico da máquina conduzida pelo egoísmo. E, impudente, continua a rezar com os lábios.

Faz tempo que não converso com os astros. Na minha idéia sempre imaginei, poeticamente, que estrelas, além de encantarem o espaço, também são degraus que Deus criou para o homem chegar ao céu.

Então, fecho os olhos e faço de conta que ouço.

Não é preciso estrelas para chegar a mim. Há mais de dois mil anos tento conversar com pessoas. Respostas ainda são lanças a me ferir. Festejam-me nos últimos dias do seu calendário. Bom se lembrados, o Pai e eu, todos os dias. Não somente nas horas de angústias, dores e aflições. Não apenas no dia que chamam de Natal com bebidas e mesas fartas. Não atentam que as sobras são lágrimas em pratos vazios...

Concordo com o que fiz de conta que ouvi. E me defronto com uma realidade.

Papai Noel é mais reverenciado do que Jesus Cristo! Dá pra entender? Nada contra o velhinho simpático de barbas brancas e roupas vermelhas brilhantes, fazedor de sonhos de milhões de crianças. Inclusive os meus na minha infância! Porém, refletir é preciso. Não ser apenas mais um CPF. Ser mais do que números. Lembrando Padre Lebret, (1897-1966) fundador do movimento “Economia e Humanismo”: “O maior rival do mundo não é a pobreza dos desafortunados, mas a inconsciência dos privilegiados”. É preciso ser homem pensante reagindo às conseqüências amargas da inconsciência dos privilegiados.

Mais uma vez, fecho os olhos e faço de conta que ouço. A Terra foi confiada aos homens pelo Pai. Não a maltratar tanto como a estão espancando! Amar e cuidar de legado tão precioso! E zelo maior ao livre arbítrio. A vida é feita de escolhas e cada escolha é uma confissão! Usá-lo com sabedoria. Semear o amor, o trigo e a humildade, gesto da aliança com o Pai. E no silêncio dos momentos refletivos, conversar com o Pai e comigo todos os dias nas orações. Até os reencontros nas Casas novas nos trazendo alegrias.

Reencontros? Novas casas?

Então, fecho os olhos e mais uma vez faço de conta que ouço. Tempo e Casa em que cada homem, orando ou não orando, constrói com as graças recebidas e a liberdade de escolha dos campos para a semeadura das suas obras. Tempo do renascimento. Tempo das mudanças. Amar ao próximo e a Natureza com o afeto em que o Pai e eu amamos. As passagens para os reencontros serão leves como o amém ao final das orações.

Abro os olhos Será que delirei ou recebi e-mails, pps e orações demais no monitor da minha imaginação? O Senhor olha dos céus; vê a todos os filhos dos homens; do lugar de sua morada observa todos os moradores da terra... Sl 33.13-14 Então, fecho os olhos e caminho sem medos!

Munir Zalaf - RG 2.726.959

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