Pesca & Lazer

História de pescador: O Sonrisal


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Em meados dos anos 60, tratamos uma pescaria denominada “Bate Lagoa”, muito praticada nas lagoas que circundavam o Rio Batalha, na cidade de Avaí.

Esse tipo de pescaria era feito da seguinte maneira: ao escolher a lagoa, uma rede era esticada ao seu meio, enquanto o pessoal participante dos dois lados vinha nadando e batendo na água com a mão ou com um pedaço de madeira, fazendo com que os peixes, atordoados, malharem na referida rede.

Sendo assim, o trabalho era só de recolher os peixes e saboreá-los às margens da lagoa, sempre acompanhados de uma cachaça. Na época era a Tatuzinho ou 19 Pirassununga.

Tratamos essa pescaria com a moçada, cerca de 15 participantes. A data seria num domingo de manhã, tendo em vista que no sábado haveria um baile concorrido na cidade, abrilhantado pela orquestra “Capeloza de Jaú”, e claro que ninguém perderia aquela oportunidade.

Já no domingo, no Bar do Clidão, com muita dificuldade reunimos o pessoal, a maioria com uma ressaca terrível, resultado do baile.

Ocasião em que um dos participantes, o “Moco”, pediu para passar antes na farmácia do sr. Oswaldo Paschoal, um paramédico da cidade.

De cara, Oswaldo notou que o Moco havia tomado um porre, e receitou um novo remédio que havia sido lançado, chamado “Sonrisal”, que deveria ser tomado com um copo de água.

Diante disso, partimos para a pescaria na lagoa do Pampani, a cerca de um quilômetro de Avaí. Chegando à lagoa, a turma foi armar a rede. Alguns improvisaram um fogão, enquanto Moco foi tomar o remédio.

Já estávamos prontos para a pescaria quando o Uriel gritou que o Moco estava passando mal. Apavorados, o vimos espumando pela boca e sem conseguir falar. Sem demora, o carregamos até a cidade, para a farmácia do sr. Oswaldo, que nos disse: “Não precisam se apavorar. Não é epilepsia e nem enfarte. Simplesmente o Moco tomou o remédio da forma errada. Em vez de dissolver o Sonrisal em um copo de água, ele engoliu a pastilha e tomou água por cima.

Foi um alívio, mas a pescaria “Bate lagoa” ficou para uma próxima vez...

Sérgio Andrade Moreira é pescador e contador de histórias

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