Polícia

Dois são presos acusados de homicídio

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 4 min

A Polícia Civil de Bauru prendeu na tarde de ontem dois homens suspeitos de terem participação na morte do empresário Amilton Mauad, no dia 15 de novembro deste ano. A Delegacia de Investigações Gerais (DIG) solicitou à Justiça a prisão provisória de dois moradores do Parque Jaraguá que teriam invadido a casa do empresário no dia do crime. Um deles é apontado como o autor do disparo que matou Mauad, proprietário de uma casa noturna da avenida Duque de Caxias.

O crime ocorreu quando o empresário e sua esposa Cariene chegavam em casa, na Bela Vista, após o trabalho. O casal percebeu que um vidro de uma janela havia sido retirado por completo - incluindo a massa do acabamento - e que a porta da cozinha estava aberta.

Ao entrar no imóvel, o casal se separou. Na cozinha, a mulher surpreendeu um rapaz. Ele se assustou e saiu correndo. Ela foi atrás dele e, ao chegar no corredor, viu o marido subindo em direção à cozinha e uma outra pessoa logo atrás. Quando se encontraram novamente na cozinha, Mauad e sua esposa passaram a gritar por socorro.

O segundo homem acabou disparando contra o empresário, que foi atingido no lado esquerdo do peito e acabou morrendo no local. Os dois envolvidos fugiram. O caso foi registrado no Plantão Policial como latrocínio- roubo seguido de morte.

De acordo com o delegado Ricardo Dias da Silva, que coordenou a apuração do caso, os investigadores da DIG receberam uma informação de que dois rapazes conhecidos como Ne e Pagé, moradores do Parque Jaraguá, estariam envolvidos na morte de Mauad. “Passamos então a trabalhar para identificar e localizar esses dois suspeitos”, explica Dias.

Após cumprir mandados de busca em dois endereços do bairro, os policiais encontraram ua Carteira de Trabalho com foto em nome de Giovani Zacarias de Melo, 30 anos. Mas as pessoas no local não informaram o apelido de Melo, nem o seu paradeiro.

Em ourtra diligência, os policiais identificaram o segundo suspeito, Wellington Nascimento da Silva, o Ne, 21 anos. A irmã dele revelou aque o rapaz já estivera preso. “Então mostramos a ela a Carteira de Trabalho e ela, mesmo sem a gente perguntar, identificou Giovani como sendo o Pagé”, conta Dias.

No Centro de Detenção Provisória, os policiais localizaram a ficha de Melo que havia sido solto no ano passado após cumprir pena por roubo. Já Silva constava no arquivo da DIG por ter cometido furto qualificado.

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Versões

Ontem à tarde, os policiais da DIG votavam à casa de Giovane Zacarias de Melo para verificar uma prova quando perceberam que o suspeito estava no local. “Ao passarmos de viatura, percebi que no fundo da residência alguém de boné lavava o rosto no tanque. Voltamos devagar e entramos na casa. Ele tentou correr, mas depois pediu para que seu advogado fosse chamado”, descreve Dias.

Melo foi ouvido pelo delegado ainda durante a tarde. Em seu relato, ele contou que na véspera do crime foi procurado por Wellington Nascimento da Silva. Eles teriam saído do Parque Jaraguá, ido em bares e quando passavam pela residência de Mauad ele teria dito a Melo que ali seria a casa de um parente e que tinha que pegar algumas coisas. Mas logo a ação mudou, já que eles pularam o muro da residência e foi retirado o vidro de uma das janelas.

Quando eles estavam dentro do imóvel, o casal teria aparecido. De acordo com Dias, Melo relatou que Silva sacou uma arma. “Ele conta que gritou para Ne (Silva) não atirar. Já o Ne grita para o Pagé (Melo) para ele ficar. Nisso, ele saiu correndo e contou que ao pular o muro, teria escutado dois disparos”, descreve o delegado. Ele ainda informou que ficou sabendo da morte do empresário dias depois.

Foi o próprio Melo que informou aos policiais o paradeiro de Silva, que foi localizado no final da tarde de ontem em uma residência na rua Yoichi Ogihara, a algumas quadras de sua casa. Levado à DIG, ele afirmou que não conhecia Melo e que não tem envolvimento com o crime. Ainda alegou ao delegado que o outro estaria tentando incriminá-lo.

“Mas ao visitar os dois lugares, vi que todos tinham relacionamento e se conheciam”, refuta. “Além disso, ele não apresentou álibi para esse dia”, afirma o delegado. No final da tarde de ontem, a DIG solicitou à Justiça a prisão temporária por 30 dias dos dois suspeitos. O crime de latrocínio tem pena de 20 a 30 anos de reclusão. A arma que teria sido utilizada por Silva não foi localizada.

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