Economia & Negócios

Acordo de dívidas dobra com 13º salário

Ana Paula Pessoto
| Tempo de leitura: 2 min

Usar o 13.º salário para pagar dívidas antigas e liberar-se para fazer as compras de final de ano, inclusive parceladas. Este deve ser o destino de boa parte do dinheiro extra dos trabalhadores brasileiros, segundo pesquisa da Associação Nacional dos Executivos de Finanças Administração e Contabilidade (Anefac). O estudo aponta que 12% dos brasileiros pretendem usar o 13º para quitar dívidas. Entre as despesas, 36% dos pesquisados disseram que vão cobrir dívidas de cheque especial e 25% pagar cartão de crédito. Outros pretendem tirar o nome nas listas de inadimplentes junto ao comércio e ao sistema financeiro.

Os acordos entre devedores antigos nesta época, após o pagamento do 13.º salário, chega a dobrar, informa o Grupo Nelson Paschoalotto, que atua há dez anos no mercado de recuperação de crédito. A próxima semana deve ser de muito trabalho na empresa que lembra que o momento é oportuno para o consumidor inadimplente liquidar sua dívida e, rapidamente, retornar ao mercado de consumo.

O economista Fernando José Martha de Pinho confirma que, nesta época do ano, as pessoas estão preocupadas em quitar suas dívidas e atentas na hora de fazer as compras por conta da crise mundial. “As pessoas, de um modo geral, estão preocupadas com o que poderá ocorrer nos próximos meses com a economia do País. Até por isso preferem pagar contas antigas antes de fazer novas”, frisa.

Preocupada com as contas que estavam ficando atrasadas, a auxiliar de escritório Priscila Aparecida dos Santos tomou dinheiro emprestado de sua mãe e quitou as dívidas. Agora, com o seu 13º salário, ela pagou o que devia à mãe e se sente aliviada por não ter caído na tentação de gastar o dinheiro extra. “A vontade de ir às compras foi grande, confesso, mas a obrigação veio em primeiro lugar”.

Pinho orienta a gastar o 13º salário com planejamento. “Aconselho, em primeiro lugar, que as pessoas paguem suas contas e, com o que sobrar, comprem o necessário, poupando parte do dinheiro, se possível, para pagar as contas que começam a chegar no mês de janeiro, como o IPVA e o IPTU, por exemplo” diz.

Com a atenção voltada para essas e outras contas, o auxiliar administrativo Juliano Pavani irá destinar todo o seu dinheiro extra para as faturas de casa: água, luz, telefone, supermercado, além de pagar a primeira parcela do IPVA. Em recuperação de uma cirurgia nas costas, Juliano conta que irá receber seu salário pelo INSS, provavelmente, apenas no início de fevereiro.

Assim, o destino do seu 13º salário será as contas da família. “Nos anos anteriores eu usava esse dinheiro para quitar meu IPVA, e comprar presentes de Natal, porém, esse ano foi atípico por causa da minha cirurgia, então irei parcelar a dívida e comprar apenas o necessário. Mas acho que o importante mesmo é pagar as contas e não ficar no vermelho”, diz.

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