JC Criança

Aprendendo a dar e a receber

Maíra Soares
| Tempo de leitura: 4 min

Pisca-pisca, árvore, mesa farta e... presentes! O Natal está chegando e, junto com ele, a expectativa de ganhar um monte de coisas novas. Embora a festa natalina tenha um significado religioso - a celebração do nascimento de Jesus -, a maioria das crianças gosta mesmo é de abrir os pacotes. Mas e se o brinquedo não é o que foi pedido?

“A reação apresentada pelas crianças é geralmente a mesma dos adultos quando não acontece aquilo que desejam: frustração. Geralmente, as frases mais faladas nestas ocasiões são: ‘ah, não era isso que eu pedi!’, ‘isso, eu não quero!’, e ‘no outro dia você me dá aquilo que eu pedi?’”, relata a psicóloga Marly Bighetti.

A espontaneidade é marca registrada dos menores e eles acabam expressando aquilo que sentem. Muitos começam a chorar, brigam com os pais, ficam de bico e acabam transformando uma noite feliz em um momento de desentendimento.

Os pais não devem temer que os filhos fiquem com traumas por não ganhar o que pediram e podem dialogar com eles para tentar um entendimento. “Sempre que possível, os pais devem conversar sobre as situações que envolvem diretamente as crianças como: presentes, festas e outras coisas. Assim, será muito mais fácil a compreensão quando a data chegar e o presente ou a festa não puder acontecer como era do desejo do filho. O diálogo sempre é o melhor caminho”, aconselha Marly.

É legal entender que os pais sempre querem o melhor para os filhos e fazem de tudo para presenteá-los com o objeto desejado. Portanto, se você não encontrar o queria ao abrir o presente, tente compreender. É muito provável que sua família tenha tido algum problema como falta de dinheiro ou dificuldade para encontrar o brinquedo.

Além disso, o Natal fica bem mais divertido quando as pessoas se preocupam menos com a questão do consumo. “ A sociedade e a mídia fazem sua parte estimulando o comércio. Porém, cada família pode escolher seu modo de viver e, dentro deste modo, com certeza incluir o momento da conversa sobre o verdadeiro sentido do Natal, com sua história sua tradição, dando ao presente o valor que ele realmente deve ter, ele é apenas um dos elementos na grande festa do Natal, mas não o principal”, diz Marly.

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Bom exemplo

Algumas crianças aproveitam o final do ano para ajudar aos outros. Sabendo que vão ganhar novos brinquedos, elas separam os antigos e doam para crianças que não têm condições de comprá-los.

Esse é o caso da família Fontes. Cassiana e suas filhas Ana Beatriz, 5 anos, Ana Paula, 11 anos, e Giovana, 18 anos, ficam muito felizes em presentear com seus antigos pertences. “Aprendi a fazer isso com meus avós e com os meus pais. Agora trago isso para minhas filhas. É uma aprendizagem que vem dentro de uma cultura familiar. A doação de brinquedos, roupas e calçados para pessoas que precisam mais vem de muitas gerações”, conta Cassiana Fontes.

Durante o ano todo a família vai juntando roupas e objetos que não são mais utilizados e separando para doação. Quando chega a época de Natal, elas dão um trato todo especial aos brinquedos e distribuem para as crianças que batem na porta da casa para desejar Feliz Natal. “A gente não dá nada faltando pedaço. O ano passado nós juntamos umas 20 bonecas e fizemos um trabalho em grupo: uma lavou, outra secou, a seguinte penteou, minha mãe costurou todas as roupinhas e a gente embrulhou todas elas”, diz Cassiana.

Apesar de pequena, Ana Beatriz Fontes se empolga com toda essa movimentação do final do ano. “Eu gosto de doar porque tem brinquedo que não uso mais. Eu também gosto de ajudar a minha mãe, mas eu não sei embrulhar”, diz, toda envergonhada.

Giovana Fontes, a mais velha das três, acredita que esse tipo de ação é essencial. “Eu me sinto muito feliz, muito útil. Penso que assim sou uma pessoa que tem valor na sociedade”, relata.

Ana Paula Fontes quer que todo mundo faça sua parte e, por isso, incentiva os colegas da escola a fazerem o mesmo. “Eu falo para o pessoal ir nas comunidades e doarem suas coisas. Eu acho que isso vai ajudar as crianças que não têm nenhum brinquedo para se divertir”, aconselha.

Orgulhosa das filhas, Cassiana acredita que esse é seu maior legado para as meninas. “Eu acho que a solidariedade, a humanidade, a formação da cidadania são sementes que a gente planta e que um dia a gente vai ver frutificar”, finaliza.

A psicóloga Marly Bighetti concorda e alega que incentivar as crianças a fazer doações é excelente para seu crescimento moral. “Com o incentivo para a doação de brinquedos usados, os pais estão tirando seus filhos do egocentrismo e permitindo a eles partilhar com o outro o que antes era seu. Também podemos ressaltar que os pais estão contribuindo para que seu filho olhe o outro com carinho e respeito”, diz.

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