Bairros

Mudas inadequadas comprometem casas

Wagner Carvalho
| Tempo de leitura: 3 min

Arildo Pereira da Silva, morador da quadra 2 da rua Belém no Jardim Higienópolis, lamentou ter que cortar uma árvore com mais de 18 metros em frente à sua casa. A árvore do tipo chapéu de sol estava comprometendo a estrutura física da residência, tanto que os fiscais da Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma) deram parecer favorável para sua eliminação.

A espécie originária da Índia se adaptou ao clima da cidade e é facilmente encontrada em diversos locais do município. De acordo com o proprietário da casa, as raízes provocaram rachaduras por toda a casa. Na garagem, as fissuras tanto no solo da garagem quanto nas paredes são visíveis.

“A gente lamenta, porque a sombra produzida pela copa proporcionava um ambiente muito gostoso na residência, mas os problemas já ameaçavam a segurança da casa”, explica o morador, que conseguiu a autorização da secretaria para cortar a árvore e, logo depois de realizar as reformas na residência, terá de fazer o plantio de outra muda. Silva conta que irá escolher uma árvore menor para não enfrentar problemas no futuro.

Árvores de porte grande podem ser encontradas por toda a cidade, apesar de não serem recomendadas para o plantio em calçadas. De acordo com Osmar Cavassan, professor de ecologia vegetal do curso de biologia da Universidade Estadual Paulista (Unesp) o plantio dessas espécies deve ser realizado em parques e até em canteiros centrais de avenidas, mas nunca em calçadas. Mesmo assim, deve seguir alguns cuidados.

De acordo com o professor, algumas espécies de grande porte, mas com raízes menores, podem ser plantadas no passeio público desde que se observe se não irão atrapalhar as linhas de transmissão de energia, telefonia e TV a cabo. Nesses locais, é recomendado o plantio de árvores de porte menor que não ofereçam risco à estrutura urbana.

Segundo o professor, em diversos locais da cidade o plantio de árvores foi feito sem que antes fosse feito um planejamento. “Hoje é impossível pensar a criação de novos bairros sem que antes seja feito um planejamento onde os cabos de transmissão de energia e outras redes não dividam espaço com a arborização urbana”, explica.

Além dos prejuízos na estrutura da casa causados pelo avanço das raízes da árvore, o morador do Jardim Higienópolis teve que gastar R$ 250,00 para contratar uma equipe treinada pela Semma para fazer o corte da árvore sem que sua residência corresse algum tipo de risco.

Contratado pelo morador, Wilson de Mello diz que, por mês, é chamado para cortar cerca de seis árvores na área urbana de Bauru. Além de cortar a árvore, a equipe chefiada por ele se encarrega de limpar o local e dar o destino adequado à madeira que resulta do corte dos galhos. “O preço cobrado para o corte de uma árvore é de acordo com o tamanho do serviço, em geral, o serviço não sai por menos de R$ 200,00 ”, conta.

Perigo

As árvores podem ser cortadas e ter mais de 30% de sua copa podada apenas com autorização por escrito da Semma. Além da secretaria, apenas o Corpo de Bombeiros e a CPFL Paulista podem realizar podas e suprimir árvores na área urbana, mas é necessário que seja comprovado que as árvores oferecem risco e, mesmo assim, o fato deve ser comunicado à Semma posteriormente.

Na cidade é possível encontrar diversas árvores podadas por funcionários da CPFL Paulista, situações em que vácuos nas copas dessas árvores foram feitos para que os galhos não ofereçam risco de rompimentos aos cabos de transmissão. Esse tipo de poda também poder ser feito em “V” para desobstruir a passagem dos cabos, mas as podas precisam ser constantes.

Mesmo participando de cursos oferecidos pela Semma, alguns itens que garantem a segurança do trabalhador que sobe nas árvores para realizar a poda das copas não são observados. A maior parte deles, acostumados com o serviço, dispensa o uso de cinto de segurança e se sujeita a quedas que podem resultar em ferimentos graves, como fraturas ou em alguns casos, a queda pode ser fatal.

Comentários

Comentários