Know how em escassez
Em 1980, quando fazia parte do corpo de engenheiros dos Fuzileiros Navais da Marinha de Guerra do Brasil, essa corporação mantinha com a Marinha de Guerra dos Estados Unidos um projeto de treinamento cooperativo, que previa operações em território de Porto Rico, uma vez ao ano. A Marinha do Brasil absorvia as novidades em equipamentos eletrônicos, enquanto, a corporação americana aprendia com os brasileiros como lidar com situações adversas, principalmente a escassez, que é algo previsível em caso de guerra, algo que os americanos deixavam muito a desejar. Em resumo, nós exportávamos know how em escassez.
O tempo passou e nós brasileiros passamos por tantos planos econômicos radicais e estamos passando por experiência de inclusão social jamais vista em toda história do País, que podemos bater bem forte no peito e dizer: hoje somos pós-graduados em lidar com adversidades, com o maior respeito às escolas renomadas que não contemplam em suas disciplinas tais conhecimentos.
Isto me faz lembrar da Cartonagem Jauense, cujo fundador-proprietário utilizou uma linha de raciocínio interessante para provocar o crescimento da organização. É a experiência do “arroz com feijão”, que aquele empresário enfatizava em momentos de decisões importantes, que envolviam riscos para a empresa. Depois de muito pensar e estudar, ele dizia: “se não der certo o projeto, em última instância voltamos a comer arroz com feijão, qual é o problema? Temos muita vivência nessa área, pois quando iniciamos a empresa, nós comíamos nas refeições apenas arroz e feijão, sem misturas, uma vez que o dinheiro era curtíssimo.
Devido a isso, a coragem surgia e a empresa crescia.
Portanto, notícias vindas dos Estados Unidos sobre a crise devem ser bem ponderadas e filtradas. O Brasil além de não depender muito de exportações - pois tem um grande mercado interno -, fizemos as lições de casa nas questões econômicas e nos encontramos em uma situação ímpar em se tratando de reservas. É lógico que o estreitamento de crédito provocado pela situação está gerando conseqüências em nossa economia, mas tenho certeza de que passaremos por essa crise internacional de forma nobre, pois nós podemos.
Meus clientes que se adaptaram à nova realidade, gerando novos diferenciais, e saíram a campo para vender, já garantiram as produções de janeiro e fevereiro de 2009. Cuidado com a imobilidade. Lembrem-se sempre: a adaptação e o movimento curam.
Davison de Lucas - diretor da M.Davison & associados