O governo dos militares não conseguia mais a simpatia da população e os pleitos eleitorais revelavam essa situação. Assim, para garantir o apoio político da maioria eleita, mudaram as regras, de maneira que, na eleição para a prefeitura em 15 de novembro de 1976, três poderiam ser os candidatos da situação e três da oposição. Da somatória das legendas sairia o eleito, que necessariamente poderia não ser o mais votado.
Isso ocorreu em Bauru. Três foram as chapas da Arena, assim constituídas em eleição casada, na qual votando-se para prefeito estaria votando no vice: Arena 1 – Osvaldo Sbeghen para prefeito; Arena 2 - José da Silva Martha Filho para prefeito e Arena 3 - José Augusto Vieira Ranieri para prefeito. MDB 1 – Roberto Hilvo Giovani Purini para prefeito. MDB – 2 Nivaldo Cardia para prefeito. MDB 3 Antonio Fortunato para prefeito. Apurados os votos, Roberto Purini, o mais votado do MDB, obteve 24.930 sufrágios e Osvaldo Sbeghen, o mais votado da ARENA, 20.566 votos. Embora Purini fosse o mais votado, na soma de votos a legenda da Arena conseguiu com os três candidatos, 32.323 e o MDB somente 27.390.
Eleito Sbeghen, foi ele considerado um prefeito tocador de obras, num mandato de 6 anos (outra mudança das regras eleitorais). Alcides Franciscato, deputado federal, junto com Abrahim Dabus, deputado estadual, cada um em sua área de atuação, prosseguiram na busca de recursos a fundo perdido para custear investimentos na cidade. Com a ajuda dos deputados, a gestão do Sbeghen continuou com as obras da avenida Nações Unidas, organizou o Zoológico Municipal, fez o Bosque da Comunidade, a Rodoviária e, quase no fim de sua gestão, graças a recursos estaduais que os deputados conseguiram, construiu o viaduto “Antonio Eufrásio de Toledo”. Desvinculando-se do PDS, sua gestão o credenciou a disputar a deputação estadual pelo PTB. Elegeu-se por dois mandatos.
O governo dos militares continuava “vazando água” no que diz respeito à aprovação da opinião pública. Assim, para descaracterizar essa forte oposição popular que expressada no voto, eliminou o bipartidarismo que ele havia imposto, e permitiu a criação de novos partidos, mas tendo o cuidado de exigir que cada sigla adotasse em seu nome o termo “partido”, assim não sobrevivendo o MDB. As mudanças viriam a partir do pleito seguinte, como será descrito proximamente.
O autor, Irineu Azevedo Bastos, é articulista do JC