A história do engenheiro recém-formado Arthur Alves Fiocchi, 27 anos, ilustra bem o momento vivido pela categoria. Depois de estagiar durante seis meses na fábrica da General Motors (GM) em São Caetano do Sul, ele recebeu uma proposta da empresa para trabalhar na Inglaterra. Arthur recusou.
Ele preferiu permanecer no Brasil e terminar seu curso de mestrado, cujo projeto em desenvolvimento é um equipamento de usinagem de precisão que ainda não existe no mercado. “Estou apostando tudo nesse projeto”, diz. Além do mestrado, Arthur ocupa seu tempo também como professor substituto na Faculdade de Engenharia da Unesp de Bauru.
Quando estava no quarto ano da faculdade, ele foi estudar inglês no Canadá. De lá, ele foi para a Alemanha, onde permaneceu seis meses participando de uma pesquisa sobre dinâmica veicular numa universidade de Regensburgo, cidade que fica a cerca de 100 quilômetros de Munique.
Voltou para concluir a faculdade e seguiu para o estágio na GM. Depois que terminar o mestrado, Arthur pensa em fazer seu doutorado nos Estados Unidos ou na Faculdade de Engenharia da Universidade de São Paulo, em São Carlos. A exemplo de outros profissionais da área, ele também se dá ao luxo de escolher onde trabalhar.
Embora haja uma carência desses profissionais no mercado, o engenheiro eletricista Fernando de Souza Campos afirma que as empresas ainda não dão o valor que a categoria merece. Na opinião dele, as empresas deveriam ser mais participativas, ou seja, formar parcerias com os pesquisadores para o desenvolvimento de projetos.
Fernando recebeu um prêmio internacional em 2007 pela publicação de um artigo científico sobre um sistema de imagem usado em câmera digital. O trabalho foi desenvolvido durante seu curso de doutorado. Entre as tantas opções que a engenharia lhe oferece, Fernando decidiu seguir carreira acadêmica.