Estudo divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) aponta um déficit de engenheiros no Brasil. Atualmente, o País forma cerca de 20 mil profissionais todos os anos - número considerado insuficiente para atender a demanda do setor produtivo. Para dar conta das necessidades teriam de sair das universidades pelo menos 50 mil novos engenheiros por ano.
Para o professor Paulo César Razuk, do Departamento de Engenharia Mecânica da Unesp de Bauru, a engenharia e o desenvolvimento de um País caminham juntas. “O entrave ao nosso crescimento é, em grande parte, causado pela carência de engenheiros; gente especializada em infra-estrutura, saneamento, obras industriais, telecomunicações, petróleo e gás; gente que agregue tecnologia aos produtos agrícolas que exportamos”, disse ele em artigo publicado no mês passado no Jornal da Cidade.
O engenheiro metalurgista Enrico Iozzi, gerente de produção de uma grande empresa da região, frisa que a atual carência de profissionais nessa área é uma conseqüência da estagnação econômica vivida pelo País até 1997. Como não havia emprego na área, na hora do vestibular, os jovens não escolhiam engenharia.
Agora que a economia brasileira está mais favorável não há profissional em número suficiente para atender a demanda.Enrico relata que a empresa em que trabalha teve dificuldade para contratar cerca de 15 engenheiros recentemente. Precisou anunciar a oferta de emprego em jornais de grande circulação da Capital.
Segundo ele, outras empresas enfrentam a mesma dificuldade. Além dos engenheiros, Enrico revela que está faltando também profissionais de nível técnico, como mecânico e eletricista. “Eles simplesmente desapareceram”, diz.
Alcides Padilha, diretor da Faculdade de Engenharia da Unesp de Bauru, disse à reportagem que o Ministério da Educação (MEC) solicitou um aumento no número de vagas para os cursos de engenharia. Essa seria uma das formas de zerar o déficit de profissionais no mercado. No entanto, a solicitação não deverá ser atendida. De acordo com o diretor, a expansão significaria mais salas de aula, mais professores, mais laboratórios, mais funcionários, ou seja, mais gastos. Segundo ele, a faculdade não tem condições de arcar com esse aumento nas despesas.
Anualmente, a Unesp de Bauru oferece 60 vagas para engenharia elétrica, engenharia mecânica e engenharia civil e 40 vagas para engenharia de produção (no vestibular de meio de ano).