Tribuna do Leitor

A venda do banco Nossa Caixa


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O governo de São Paulo vendeu o banco Nossa Caixa por um valor questionável ao Banco do Brasil, o maior banco público do País.

Para os pseudo-entendidos em economia e desconhecedores da história do banco, pode se afirmar que se trata de uma tendência do mercado, onde os maiores compram os menores. Para o governo, o Estado não tem vocação para ter um banco, por isso está se desfazendo de mais um patrimônio.

A Nossa Caixa, ao longo de 92 anos, passou de autarquia a um banco múltiplo, com estrutura invejável, moderna, saneada e rentável, ostentando posição privilegiada no cenário bancário nacional, atuando praticamente no Estado de São Paulo, onde sua figura é marcante nos municípios paulistas, parceira de inúmeras prefeituras, financiando a lavoura, através do crédito rural, os funcionários públicos e clientes em geral, praticando uma das melhores taxas do mercado e um padrão de atendimento diferenciado.

Grande parte do sucesso do banco deve-se ao fato de políticas sérias e descompromissadas politicamente de inúmeras diretorias e sobretudo do empenho e garra de seu corpo funcional, que não mediram esforços ao longo desses anos em colocar o banco nesta posição, muitas vezes em até condições adversas.

Com a privatização do Banespa, entendia-se que, como único banco paulista, se vislumbrava uma política de fortalecimento por parte do governo, a fim de torná-lo muito mais moderno e competitivo, mas infelizmente ocorreu inversamente, com o governo obrigando a compra da folha de pagamento dos servidores públicos, inviabilizando benefícios que por certo retornariam a esses servidores, uma incoerência.

Com o dinheiro da venda, o governo pretende realizar obras, o que por certo lhes trará muitos méritos, porém o demérito dessa venda é infinitamente superior, pois dilapida-se um patrimônio do Estado.

Como funcionário aposentado do banco, vivenciei momentos maravilhosos, junto com demais colegas, quando se cumpria metas estabelecidas, nos lançamentos de novos produtos, na conquista de novos clientes etc. Era uma época de euforia e jamais imaginávamos que o nosso querido banco, o banco de São Paulo, o nosso banco, seria vendido, se esse banco atuava no Estado de Sergipe, Piauí, ou Maranhão, talvez se justificaria a sua venda.

Hoje, os funcionários da Nossa Caixa vivem momentos de incerteza e intranqüilidade, porque se desconhece a política do novo dono com relação a eles. Uma coisa é certa, quem compra é dono e dita a regra do jogo. Quanto ao governo estadual, já deve estar de olho em um outro órgão estatal para fazer algum dinheiro, isto é, se ainda existir.

Antonio Carlos Zaratine - RG 6.593.421

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