Tribuna do Leitor

Natal, ano novo...


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Nesses momentos de comemoração, nos abraçamos, enviamos e recebemos os mais diferentes e efusivos votos de imensa felicidade; como é bom! Uma alegria contagiante nos invade, trocamos presentes. Tudo é festa!

De repente nos lembramos do aniversariante chamado Jesus; e uma voz que parece vir do fundo de nossa consciência nos diz: “É tempo de reflexão íntima”... Aí iniciamos nossa meditação. Nessa introspecção, lembramos que temos cama, roupa, comida, mas estamos sempre descontentes. Reclamamos do que temos, queremos comprar e gastar mais... Temos tudo e reclamamos de tudo; até dos presentes que ganhamos... Os “presentes”... Mas se nem lembramos dos “ausentes”... “Ausentes”?

Nossos “antepassados” não são mais entes queridos, tanto que nem nos lembramos mais deles... Estão ausentes...

Mas a vida nos mostra outros “presentes”, que tais quais os antepassados “ausentes”, nem mesmo são por nós percebidos. Afinal, “o que nós temos com isso”?

Talvez se tivéssemos uma réstia de sensibilidade, certamente veríamos todos os “ausentes” na figura dos “socialmente excluídos”; mas ainda os ignoraríamos atribuindo-lhes a pecha de “desocupados”, alardeando que “só não trabalha quem não quer”...

Desocupados? Mas... há quem lhes ofereça a oportunidade de um trabalho, mesmo que seja para testar se pretendem restaurar a dignidade pessoal de viverem por si mesmos?

Hipócritas que somos, nem nos lembramos da parábola do “bom samaritano”... As oportunidades se nos apresentam em todos os momentos, porém desde a porta da nossa casa e até mesmo nas portas dos supermercados nós nos escondemos ou, fingindo que não os vimos, nos esgueiramos passando ao largo dos “samaritanos” que pedem uma colaboração, não para eles, mas para os necessitados “ausentes”, esquecidos nas casas assistenciais... São crianças ou idosos, todos desamparados, abandonados e acolhidos por mãos amigas, estas nem sempre dotadas de recursos bastantes para esse atendimento e, por isso, são obrigadas a também pedir para esse mister...

Porém, sempre idealizamos motivos para nos desculparmos, podendo até atribuir a culpa ao governo, que deveria ser responsabilizado. Mas quem é o governo? Não somos nós que o elegemos? Enquanto esperamos pelos recursos prometidos, poderíamos realizar a nossa parte.

Quem não sabe o que ou como fazer para ajudar, simplesmente colabore com quem sabe e faz. Há muitas entidades assistenciais que receberiam de bom grado sua contribuição. E, cá entre nós, quer saber mais? Pare de reclamar porque não ganhou o que gostaria de ganhar. Não choramingue também sua inveja porque não renovou seu guarda-roupas, nem comprou o que queria, ou algum negócio se frustrou...

Antes de reclamar, ao menos tenha a coragem de “agradecer” pelas oportunidades que já teve de conseguir o que precisava e ampliar seu próprio acervo. Olhe ao seu redor e obtenha a motivação para sentir a emoção de receber um “Deus lhe pague” de alguém para a qual você ofereça, ao menos, um pedaço de pão, quando for pedido.

Ouça também a voz do aniversariante: “É tempo de reflexão íntima”. Por isso, demonstre felicidade ao proferir ou ouvir em seu favor, a costumeira frase: Feliz Natal e Próspero Ano Novo!!! Sinceramente, é o que lhes desejamos.

João José de Lima- JotaLima - OAB-SP 36.946

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