Ajudar um vizinho na hora de uma necessidade, presentear uma criança que não ganharia brinquedo, organizar um almoço especial de Natal para os moradores do bairro. Ações como estas dão sentido à vida de muita gente como a dona de casa Geraldina de Britto. Moradora no Jardim Ouro Verde, ela superou o trauma de ter sido baleada e ver o marido ser assassinado - segundo ela por pessoas que interpretaram mal o trabalho voluntário que o casal realizava – e voltou a se dedicar ao que mais gosta: as ações sociais.
Com a ajuda da Casa da Sopa, ela organizou um almoço de Natal, servido no domingo passado, para cerca de 400 moradores carentes da região do Jardim Vitória. Geraldina contou com a contribuição de seus vizinhos e a ajuda de seis voluntários para arrecadar alimentos e bebidas necessários para preparar o almoço.
“Muitas crianças desejam presentes e ceia de Natal, mas as famílias nem sempre têm condições. Meu papel é deixar essas pessoas mais felizes, levando o pouco que tenho”, revela Geraldina que há 13 anos se dedica a ações sociais. “Quero ajudá-las a esquecer, pelo menos durante o almoço, da difícil vida que levam”, acrescenta.
Apesar de também ter uma vida simples, Geraldina não é apenas voluntária nas festas de final de ano. Além do almoço especial de Natal, durante todo o ano a dona de casa realiza trabalhos sociais na cidade. “Sempre procuro levar palestras para os jovens sobre drogas, aids e gravidez na adolescência. Também distribuímos roupas e sapatos arrecadados com meus vizinhos, que sempre estão do meu lado”, revela.
No ano passado, a bauruense arrecadou mais de dois mil lençóis que foram doados ao Hospital de Base e ao Instituto Lauro de Souza Lima. “Eu tenho uma família linda, tenho netos, bisnetos, graças a Deus. Faço para o próximo e tenho certeza que se um dia minha família precisar, uma outra pessoa certamente também fará por nós”, afirma.
“Não faço porque quero dinheiro, não quero nada. Agradeço por não ter que viver de doações. Gosto de ajudar e por meio deste trabalho recebo muito em troca, fico muito feliz e nem tenho tempo de pensar nos problemas e nem de ficar doente”, complementa.
O primeiro trabalho social desenvolvido por Geraldina ocorreu há mais de uma década, quando morava no Parque Real. “Meu marido e eu comprávamos a comida e os presentes e distribuíamos para as famílias carentes no Natal. Depois que ele morreu, não tive mais condições de fazer isso. Fiquei dois anos longe deste trabalho até que resolvi procurar a Casa da Sopa”, conta a dona de casa. “Com a ajuda a entidade, pude ver que posso fazer muito ainda e aprendi que o trabalho voluntário não se faz sozinho”, acrescenta.
Apesar de perder o marido e ter levado um tiro na barriga, Geraldina acredita o ajudar o próximo está acima de tudo. “Tem pessoas que não fazem nada pelo próximo e se sentem ameaçadas com o nosso trabalho. Meu marido se foi, mas eu continuo e posso ajudar. Essas pessoas não vão acabar com minha vontade e com o meu sonho que é ter uma cozinha industrial para cozinhar para todo mundo que precisa. Sei que Deus vai me dar força para continuar lutando”, finaliza a dona de casa.