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Mulher perdeu tudo que tinha para tentar tirar neto das drogas

Rodrigo Ferrari
| Tempo de leitura: 2 min

Cida (que terá a identidade preservada, por questão de segurança) tem 70 anos e mora em Bauru. Sobrevive atualmente com uma aposentadoria um pouco superior ao salário mínimo. Tempos atrás, a vida dela era bem diferente. “Eu tinha três casas, bem grandes, carros e um rancho, onde costumava passar os finais de semana”, conta.

Ela perdeu tudo o que tinha tentando tirar o neto do mundo das drogas. O garoto começou a usar entorpecentes quando tinha 12 anos e chegou a realizar tratamentos de desintoxicação em 31 locais diferentes, entre clínicas psiquiátricas e casas de repouso.

“Perdi tudo. Só me restou esta casa e a aposentadoria”, diz Cida. Apesar de todo o dinheiro gasto, o rapaz não conseguiu se libertar da dependência e acabou assassinado (supostamente a mando de traficantes), quando estava com 25 anos de idade.

“Não lamento por ter gasto esse dinheiro. Se tivesse segurado os bens materiais comigo e deixado ele morrer, estaria com tudo, mas sem ele. Sei que fiz o máximo que pude. Se ele morreu, não foi por falta de luta da minha parte”, pensa Cida.

Antes de se tornar dependente de tóxicos, o neto de Cida chegou a estudar no colégio mais caro de uma grande cidade do Interior do Estado (eles não moravam em Bauru, na época). “Ele só usava roupas de marca, fazia cursos e praticava esportes. Por isso, não consigo entender essa geração de hoje: se damos, o problema é que fizemos demais; se não damos, o problema é que fizemos de menos”, lamenta.

No tempo em que o garoto era vivo, Cida chegou a ouvir de parentes e amigos que estaria jogando dinheiro fora. “Diziam que não valia a pena tamanho esforço, mas eu respondia que meu neto estava doente e precisava de minha ajuda”, afirma.

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