Caros amigos leitores das “histórias de pescador”. Faz muito tempo que não escrevo, devido a correria do dia-a-dia, mas não poderia deixar de contar esta história que ouvi há alguns meses, história esta que aconteceu antes de chegar na barranca dos rios do Mato Grosso.
Quem contou esta história foi a Osnilda, ou melhor, a Nida, como todos a conhecem, e também sua irmã Otilia.
Aconteceu mais ou menos assim:
Por volta do ano de 1970, o sr. Otto Cerqueira Leite, apaixonado por pescarias, arrumava sua tralha com grande entusiasmo. Todos sabem que para ir ao Mato Grosso naquela época, era mais difícil do que hoje, porque na década de 70 o pantanal era menos habitado e menos explorado do que é hoje, seus recursos de turismo de pesca eram precários. Portanto, os pescadores tinham que levar muita coisa, e foi isso que aconteceu.
Vários sacos de estopa com toda a tralha, anzóis, lampião, colchão e outros apetrechos necessários em uma pescaria, e tantos outros que fica difícil relacionar, pois o jornal tem somente esta folha para descrever.
Pois bem, a sua tralha, devidamente acondicionada em sacos de estopa, estava toda pronta em cima do muro, para depois ser colocada no caminhão da pescaria.
Foi daí que a correria começou. Quando o sr. Otto foi buscar mais um dos muitos sacos com toda a sua “tralha”, percebeu que os sacos que estavam em cima do muro tinham desaparecido!
Foi aquela correria: “Roubaram minha tralha...”, gritava Otto!
Por fim, Nida e Otilia disseram: “Papai, aqueles sacos eram sua tralha de pesca? Corra, porque seus sacos com as suas tralhas estão no caminhão que recolhe lixo!”
Pois é, os homens da coleta de lixo da época pensaram que fossem sacos de lixo, e colocaram tudo dentro do caminhão... Imaginem a cena, o sr. Otto correndo atrás de sua preciosa “tralha” de pesca, gritando: “Parem esse caminhão! Parem... minha tralha de pesca está aí dentro!”
E não é história de pescador, não! Após uma grande correria pelas ruas da cidade, quem sabe passando por bairros de Bauru, o sr. Otto conseguiu recuperar toda a sua tralha de pesca e realizar a tão esperada pescaria anual do pantanal, provando assim que o pescador não mede esforços para fazê-la.
Realizem o pesque e solte, senão, nossa maior diversão acabará em breve.
Até a próxima!
Fernando Alvarez - pescador e contador de histórias