Para descaracterizar o desgaste do governo federal, mudaram as regras da organização partidária, mas as três opções por legenda foram mantidas, bem como o mandato de 6 anos. Dentro dessas normas casuísticas, “o feitiço viraria contra o feiticeiro”. Dessa forma, o PMDB apresentou três chapas, ainda em eleição casada, com os seguintes candidatos a prefeito: 1 - Edison Bastos Gasparini; 2 – Arlindo Marques Figueiredo e 3 - José Cardoso Neto. O Partido Democrático Social inscreveu também três chapas: 1 - Innocêncio Medina Garcia para prefeito; 2 - Nilson Ferreira Costa para prefeito e 3 - Wanderley José Francisco para prefeito. O Partido Trabalhista Brasileiro também apresentou três: 1 - José Augusto Vieira Ranieri; 2 - José Marques e 3 - José Carlos Zotino, os três para prefeito. O nascente Partido dos Trabalhadores apresentou uma, constituída por Antonio Pinto para prefeito, o mesmo ocorrendo com o Partido Democrático Trabalhista, com Célia Domingues para prefeita..
Apurados os resultados, Gasparini foi o mais votado com 18.798 sufrágios e sua legenda, com 41.987 votos, suplantou a do PDS, segundo colocado, com 27.422 votos. Arlindo Marques de Figueiredo do PMDB, foi o segundo mais votado: 14.204 votos e o mais votado do PDS, concorrente mais próximo do PMDB, Wanderley José Francisco obteve somente 11.856 votos.
Quando Gasparini assumiu, estava doente com um tumor na cabeça. Seu mandato, assim, foi entrecortado de sofrimento, apesar do forte apoio dos amigos que o rodeavam. Em julho de 1983, ele afastou-se por um mês e assumiu o vice, o professor José Gualberto Martins Angerami, que nunca havia disputado uma eleição municipal. Retornou Gasparini e no início de novembro faleceu. Num estado de consternação geral amigos e correligionários assistiram seu enterro e a posse do vice-prefeito.
Angerami no governo, para obter credibilidade da população, procurou formar uma equipe de governo forte, preservando inclusive muitos dos que foram escolhidos por Gasparini. Assim, Walter Comini permaneceu nas Finanças, Gasparini Júnior no Gabinete, Mário Gabrielli no Planejamento, Cardoso Neto em Obras e assim por diante. Trouxe para seus quadros, figuras inquestionáveis no seu ramo de atuação, como foram David Caspitrano na Saúde e Gastão de Moura Maia nos Negócios Jurídicos. Eu, que fora convidado ainda com Gasparini para fazer o planejamento orçamentário da administração, fui mantido e mais tarde tornei Chefe de Gabinete de Angerami.
Focado no programa do PMDB e de olho na área social, o governo municipal contemplou as carências sociais e a saúde, como prioritárias. Na Educação, com amigos professores da Unesp capitaneados por Paulo Kawauchi, houve também projetos significativos. Angerami esticou as Nações Unidas até o Núcleo Geisel, onde eliminou forte erosão. Habitação popular também foi contemplada com muita atenção. Essa passagem de realizações leva-lo-á para ocupar um cargo de deputado federal durante duas legislaturas.
Na escolha do sucessor, quando se pensava em Walter Comini ou Antonio Izzo Filho, então secretário de Obras, disputando pelo PSDB, formado de dissidências do PMDB e do PSB. Em convenção, a maioria escolheu Izzo para ser candidato a prefeito, tendo como vice o professor Paulo Kawauchi. Continuarei com o relato.
O autor, Irineu Azevedo Bastos, é articulista do JC