Cultura

95 anos de diversão

Por Da Redação | Com Maíra Soares
| Tempo de leitura: 3 min

Cruzar palavras, descobrir significados, exercitar o raciocínio. Um dos mais antigos hábitos da sociedade, seja entre estudantes, donas de casa ou profissionais de várias áreas, está completando 95 anos neste mês. As palavras cruzadas fazem sucesso em todo o mundo e o Brasil é hoje o quarto maior mercado consumidor, atrás apenas dos Estados Unidos, França e Itália.

Uma pesquisa realizada pela editora Ediouro, líder no mercado de passatempos, revelou que 60% dos consumidores das Revistas Coquetel têm nível universitário, 74% têm entre 16 e 45 anos e 68% preferem resolver as cruzadas em casa.

No entanto, muitos fãs ilustres das cruzadinhas alegam que ela pode ser feita a qualquer momento e em qualquer lugar. “Faço palavras cruzadas há muito tempo. Se não tenho texto para decorar, eu faço cruzadas. Prefiro as de nível médio. Tenho sempre palavras cruzadas na bagagem. No avião, no aeroporto, em viagens, no trabalho... é um passatempo indispensável”, conta Rodrigo Faro, ator e apresentador de televisão.

O cartunista Ziraldo é viciado na atividade e diz resolver até em outros idiomas. “Gosto muito de palavras cruzadas, sou craque, cracasso, acho muito divertido. Mato até em inglês”, diz.

Além de ser uma ótima diversão, as cruzadinhas colaboram para o desenvolvimento de várias capacidades. “Em nossos dias, ao lado das tradicionais recomendações alimentares e de atividade física para uma vida longa e saudável, devemos incentivar o exercício diário da mente com atividades variadas e instigadoras que mobilizem as capacidades cognitivas. Dentre outras atividades, as palavras cruzadas realizadas regularmente possibilitam o exercício das capacidades de atenção e de concentração, favorecem o aprimoramento do processo de resgate de dados da memória de longa duração e facilitam a retenção de novos vocábulos, levando à ampliação do vocabulário e contribuindo, assim, para a melhoria da comunicação oral e escrita de indivíduos de qualquer idade”, explica Tânia Guerreiro, médica e professora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).

Atualmente, existem revistas de passatempos para crianças, jovens e adultos, com temas, formatos e atividades variadas. Além disso, as editoras estão investindo em novas mídias para atingir o público jovem. “Um número maior de usuários diverte-se agora com o passatempo, que é sobretudo importante fonte de cultura. Além das revistas Coquetel, as cruzadas estão na Internet, nos sites e blogs e no celular”, explica Vânia Tavares, diretora executiva das Revistas Coquetel/Ediouro.

Nascida nos Estados Unidos

Criadas em 1913 por Arthur Wynne, jornalista inglês radicado americano, do “The New York Word”, as palavras cruzadas foram publicadas pela primeira vez no Brasil em 1925, em edição do jornal carioca ´A Noite´. No entanto, esse estilo moderno de adivinhar palavras e cruzá-las em sentido vertical e horizontal teve sua origem no Antigo Egito. Registros apresentam quadros de símbolos (hieróglifos) que costumavam ser lidos em mais de uma direção.

No século 19, o dramaturgo inglês William Shakespeare também ficou conhecido como um dos mais famosos apreciadores dos jogos de palavras, principalmente dos acrósticos (palavras formadas a partir da primeira letra de cada verso) que podem ser observados em seus poemas.

No Brasil, as palavras cruzadas ganharam força a partir de 1948, ano em que a Ediouro Publicações lançou sua primeira revista. “Em um tempo em que não havia TV, videocassete, computador e Internet, famílias numerosas costumavam preencher o tempo livre com passatempos como adivinhações e charadas. Ao ser editada a primeira revista de palavras cruzadas, o sucesso foi imediato”, lembra Henrique Ramos, diretor editorial das Revistas Coquetel/Ediouro.

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