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Na Feira do Rolo, artigos chegam a custar R$ 2mil

Rodrigo Ferrari
| Tempo de leitura: 2 min

Imagine um lugar onde você pode encontrar de tudo - desde uma pá de ventilador e uma revista velha até um canhão ornamental feito de bronze. Bem vindo à Feira do Rolo, lugar para todos os gostos e bolsos. Lá, uma mola usada de descarga de banheiro é vendida a R$ 0,50. Já o tal canhão, uma peça artesanal feita em bronze e ferro fundido, datada de 1833 (pelo menos é isso que o vendedor afirma), não sai por menos de R$ 2.000,00.

“Comprei esse canhão no Mato Grosso do Sul. Pesa mais de 80 quilos. Agora pouco, um cara apostou comigo que era capaz de levantar a parte de cima da peça com apenas uma das mãos. Ele falhou, e levei R$ 50,00 na moleza”, afirma o vendedor Rodrigo do Carmo Vilar, 25 anos, que se refere ao canhão como um “enfeite de jardim de mansão do Sílvio Santos”.

Máquinas de escrever antigas são comercializadas no local por R$ 150,00, em média. Rádios fabricados na década de 30 do século passado são vendidos a mais de R$ 300,00. Na Feira do Rolo, os ritmos musicais são variados. Logo na entrada, a diva evangélica Aline Barros canta glórias a Deus. Próximo à antiga Estação da Paulista, um rapaz dança break ao som de um rap nacional. Mais adiante, um Michael Jackson das antigas salta do interior das caixas de som de uma barraca de discos entoando “Thrilleeeerrrr...”

Aliás, na Feira do Rolo, as opções culturais são variadas. As barracas de disco vendem a R$ 1,00 LPs de Luiz Gonzaga, Roberto Carlos e da Orquestra Sinfônica de Praga executando clássicos do russo Piotr Ilitch Tchaikovsky sob a regência do maestro Richard Kapp.

Na literatura, é possível encontrar títulos nacionais conhecidos como “Angústia”, de Graciliano Ramos, e “Dona Flor e seus Dois Maridos”, de Jorge Amado - a R$ 2,00. Na Feira do Rolo, são vendidos até livros em inglês como “Pray in the Spirit”, do britânico Arthur Wallis (um dos expoentes da Renovação Carismática na Igreja Anglicana).

Agora, uma pergunta singela: quem compra esse tipo de produto? “Cara, tudo se vende neste mundo. É aquele negócio: o que não serve para uns é essencial para outros”, diz o ambulante Francisco Jaloto, 45 anos, que trabalha há 11 anos no local.

“Minha cunhada mora nos Estado Unidos. Ela comentou comigo que lá é normal as famílias juntarem os pertencem que não usam mais e colocarem à venda. E a procura por esse tipo de artigo é grande! Já aqui no Brasil, as pessoas têm preconceito. Pensam que brechó é lugar para pobre e que objetos usados são lixo”, diz ele.

Francisco diz que costuma garimpar nas centrais de seleção de lixo reciclável muitos dos artigos que vende. “Você não faz idéia das coisas que as pessoas jogam fora, aqui em Bauru”, garante.

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