O Ministério Público Estadual (MPE) investiga o envolvimento de políticos da região de Bauru com a chamada máfia dos parasitas, em que, supostamente, doações ilegais para campanhas eleitorais teriam sido feita pela empresa Home Care Medical Ltda., suspeita de envolvimento em fraudes de R$ 100 milhões em contratos de material e serviços hospitalares. Matéria publicada pela Agência Estado revela que um dos documentos em mãos dos promotores registra “investimentos” de R$ 3,5 milhões em candidatos a prefeito.
De acordo com o MP, um mapa registra os sucessos e insucessos eleitorais do grupo. Na coluna “Municípios que Ganhamos”, há indicação de vitórias em cinco cidades do Interior de São Paulo, entre elas Marília (Mário Bulgarelli, PDT) e Botucatu (João Cury, PSDB), ambas na região de Bauru.
Segundo o MP, ao todo, os candidatos beneficiados pelo esquema teriam recebido R$ 1,5 milhão. Há referências a pagamentos mensais feitos de junho a setembro de R$ 75 mil, R$ 50 mil e R$ 25 mil para os candidatos a prefeito.
A investigação que resultou na descoberta do suposto esquema nasceu de uma denúncia feita à Corregedoria-Geral da Administração do Estado de São Paulo. Foi montada uma força-tarefa composta por auditores da Receita Estadual, integrantes da inteligência da Polícia Civil e promotores do Gaeco, que investigaram, durante 11 meses, a atuação das empresas suspeitas. O suposto esquema seria dividido em duas células: uma atuaria nas prefeituras e outra que fraudaria licitações em hospitais públicos.
Conte Júnior, assessor do prefeito eleito de Botucatu, João Cury, explicou que ele ainda iria tomar ciência do processo. Mas adiantou que estranha o fato de o nome de Cury constar nas investigações do MP.
“A informação que eu tenho é que todas as doações que a campanha recebeu foram contabilizadas e aprovadas pela Justiça, não houve doação para esta empresa, então, estamos estranhando surgir o nome do João”, informa Conte.
Em nota enviada ao Jornal da Cidade, a coordenação de campanha do então candidato Mário Bulgarelli, informou que, em nenhum momento, o prefeito ou sua administração realizou qualquer compra junto a Home Care Medical Ltda. e que não há cadastro nenhum junto ao Departamento de Compras da Prefeitura de Marília contendo o nome da empresa.
A coordenação nega ter recebido qualquer doação da Home Care ao comitê de campanha do prefeito, muito menos à pessoa física do prefeito eleito. “Portanto, Mário Bulgareli e seu comitê de campanha repudia qualquer relação que por ventura tenha sido utilizada de forma indevida pela referida empresa e estão abertos a todos eventuais esclarecimentos”, informa a assessoria.