Tribuna do Leitor

“Dois mil i nove”


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Com o sentido do verbo inovar implícito na nomenclatura do novo ano, renovam-se as esperanças de um mundo cada vez melhor. Numa retrospectiva histórica não tão longe assim, digamos aí de apenas uns duzentos e poucos anos, vamos encontrar muito progresso no relacionamento do ser humano com seu semelhante, caracterizando inclusive o progresso do amor ao próximo, partindo da escravidão do negro à eleição do novo presidente dos Estados Unidos. É bem verdade que ele é um homem bonito, elegante e bem dentro dos padrões atuais de beleza bronzeada e magra. Será que o Vinícius tinha razão quando afirmava que beleza é fundamental? Será que se ele fosse preto e feio teria sido eleito?

Em todo caso, o preconceito racial que foi sempre muito forte e cruel nos Estados Unidos parece estar finalmente erradicado. E os Direitos Humanos que em tão boa hora vem procurar um meio de fazer valer a dignidade da pessoa humana, quanto progrediu desde os tempos romanos em que uma dívida levava à escravidão do devedor ao seu credor. E o direito de vida e morte que o senhor possuía sobre os seus familiares e subordinados e o poder do marido sobre a mulher que teve vigência até bem pouco tempo. Nestes nossos dias, espero que mais firmemente ainda neste iniciante dois mil e nove, um novo direito tende a se consolidar, um direito que foi até bem pouco tempo, totalmente procrastinado, o direito do idoso, antes apenas considerado como um encosto incômodo e hoje um cidadão com todo o direito inerente à sua cidadania.

Do mesmo modo que os novos tempos preconizam o respeito ao idoso, por meio até de um estatuto próprio, surge também o da criança e do adolescente e os crimes antigamente secretos e sem defesa praticados por pedófilos, muitas vezes até familiares das vítimas inocentes, têm hoje sua denúncia e seu castigo, trazendo paz e justiça para todos eles. Que todas essas conquistas que vêm demonstrar a melhoria da humanidade caminhando enfim para o cumprimento da lei maior que é a lei do amor ao próximo já esteja começando senão ainda com amor, pelo menos com respeito ao próximo, de qualquer idade, seja uma realidade e uma prática constante nesse nosso ano esperançoso de dois mil e nove.

Isolina Bresolin Vianna – ABLetras – cad. 12

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