Polícia

Mortes violentas sobem 60% em 2008

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 4 min

Ainda restam algumas horas para 2008 terminar e o total de pessoas assassinadas em Bauru já é 60% maior do que o registrado em 2007. Em um ano, o volume de vítimas de mortes violentas subiu de 23 para 37 na cidade. O cálculo deste ano foi feito pela reportagem, uma vez que a Secretaria de Segurança Pública do Interior (SSP) não divulga dados atualizados. O último caso de assassinato foi registrado ontem, quando um casal foi encontrado morto dentro do carro.

Normalmente, os índices oficiais e os do JC não são coincidentes porque a reportagem relaciona todas as pessoas mortas em situação violenta, inclusive as que recebem outra tipificação para a polícia que não homicídio. Tanto que para o coordenador operacional interino do 4º Batalhão da Polícia Militar (4º BPMI), capitão Valter Luís Sales Gonçalves, eles somaram 33, incluindo os de ontem – que entram para as estatísticas como apenas um caso. Nesta situação, o percentual de aumento de um ano para outro é de 43%.

Segundo o capitão Valter Luís, a alta pode ser explicada por uma multiplicidade de fatores. Entre eles, problemas sociais, o tráfico de drogas e questões passionais. “No sentido macro, 33 homicídios para uma população estimada em 2008 em 357.132, dá 9,2 homicídios por 100 mil habitantes. Está dentro do que a Organização das Nações Unidas (ONU) prevê”, informa. De acordo com ele, o órgão identifica ameaça à tranqüilidade a partir de 10 assassinatos por 100 mil habitantes.

Tem avaliação semelhante Abel Cortez delegado assistente da Delegacia Seccional de Bauru, segundo quem os índices da cidade são de 1º mundo, sendo o município um dos menos violentos do Estado de São Paulo. Mas para quem vive o problema em família, a realidade não é tão boa assim, garante uma pessoa que pediu para não ser identificada. Ela, que perdeu um parente próximo, acredita que, especialmente a Polícia Civil, só atua em casos de repercussão na imprensa. “Vão fazer exame de DNA para identificar pichadores, mas não para identificar assassinos. Eles têm má vontade”, diz.

Críticas

Na opinião da mesma pessoa, para a polícia os mortos não passam de números. O sofrimento das famílias não é levado em conta, afirma. O problema é pior porque as polícias Civil e Militar não se entendem e concorrem entre elas, acrescenta. Ela ainda critica o fato de viaturas da Polícia Militar permanecerem paradas nas bases operacionais, principalmente à noite, quando a cidade mais precisa de policiamento preventivo.

A crítica é contestada pelo capitão Valter Luís. De acordo com o capitão, só permanecem parados os carros da ronda escolar e do policiamento integrado porque são proibidos de circular após as 23h. “Elas só são utilizadas em último caso”, explica. Ainda com relação às mortes violentas, o coordenador operacional interino do 4º Batalhão esclarece que, em muitos casos, é difícil impedi-los dada à imprevisibilidade da situação, especificamente nos casos passionais. Já quando são planejados pelo crime organizado, são praticados justamente de forma que a PM não possa evitá-los.

Ainda assim, para Cortez, os números (não mencionados por ele) indicam estabilidade no total de homicídios em Bauru. Sua avaliação leva em consideração, dentre outras coisas, o aumento populacional. Em 2008 a cidade acolheu cerca de 14 mil pessoas a mais que no ano anterior. O número de homicídios em 2008 também é maior em relação a 2006, quando foram registrados 31 casos. No entanto, são inferiores a 2005 (41) e 2006 (49).

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Ações de combate

Tanto a Polícia Civil quanto a Polícia Militar listaram as ações que realizam para impedir que o número de mortes violentas suba na cidade. O desmantelamento de quadrilhas de traficantes está entre elas, informa Abel Cortez, delegado assistente da Delegacia Seccional. De acordo com ele, a Polícia Civil trabalha simultaneamente em várias frentes.

O esclarecimento de casos por parte de delegacias especializadas, a apreensão de bens e objetos relacionados à venda de drogas e grandes operações de busca e apreensão também foram incluídas por ele, além da atuação da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM). Já a Polícia Militar citou os 432 flagrantes feitos em 2008, os 300 indivíduos capturados, as 86 armas de fogo apreendidas, além das 119 armas brancas recolhidas no mesmo ano. O coordenador operacional interino do 4º Batalhão da Polícia Militar (4º BPMI), Valter Luís Sales Gonçalves, ainda citou os 124 quilos de drogas apreendidos e as 103.136 buscas de rotina.

“Fazemos ainda o sistema de operação de rotina. A cada dia uma companhia faz uma operação, seja em bares, no Sambódromo, na Feira do Rolo, caça-níqueis”, conclui.

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