Economia & Negócios

Gás natural para indústria está perto

Carlos Demarchi
| Tempo de leitura: 3 min

Apesar dos outdoors espalhados por Bauru anunciarem o início da distribuição de gás natural para a indústria, a Gas Brasiliano, que é a distribuídora do produto, ainda não sabe a data que passará a ofertar de fato o gás na cidade. Ainda falta a Petrobrás construir o city gate, o ponto de entrega de gás. As obras da tubulação para canalização do gás estão praticamente concluídas entre Bauru e Iacanga, faltando apenas a construção do city gate em Iacanga.

Nele, segundo a Gas Brasiliano, a Petrobrás precisa fazer um rebaixamento da pressão do gás que sai do gasoduto a cerca de 100 bars (unidade de medida de pressão) para 35 bars para entregar à distribuidora. A rede em Bauru tem 12 quilômetros e liga os distritos industriais 1 e 2. “Falta o ponto de entrega, onde se faz a transferência do gás da Petrobrás para a distribuidora. O city gate é um conjunto de equipamentos e de válvulas”, explicou o assessor do diretor-geral da Gas Brasiliano, Ronaldo Kohlmann.

O gás natural pode ser usado em vários segmentos de mercado: residencial em substituição ao Gás Liquefeito de Petróleo (GLP), comercial e industrial - no lugar do óleo combustível - e nos postos de gás natural veicular. De acordo com Kohlmann, a tubulação para canalizar o gás é feita onde há maior demanda de consumo, como os distritos industriais. “Fazemos a rede (tubulação), que vai sendo ampliada à medida que surgem novos clientes, podendo atender bairros, condomínios e hotéis. O importante é ter o ramal principal, que canaliza o gás do ponto de entrega do gasoduto Brasil-Bolívia até Iacanga e Bauru”, destaca.

Kohlmann explica que o ramal Iacanga-Bauru poderá, no futuro, atender outras cidades da região. José Luiz Miranda Simonelli, titular do Departamento de Ação Regional (Depar) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) estranha o fato de estar sendo anunciada a distribuição do gás natural canalizado porque Bauru ainda não conta com city gate.

“Acredito que, se não tem o city gate ainda, este gás deve estar vindo comprimido em caminhões. Agora, se for dessa forma, não sei o custo do transporte do gás, que deve encarecer no custo final. Não sei qual seria a viabilidade de oferecê-lo dessa forma”, explica.

Na avaliação de Simonelli, o gás natural pode ser vantajoso se houver redução de custos. “Espera-se que haja um custo menor diante dos outros combustíveis. Também por ser menos poluente em relação aos outros combustíveis. Para a empresa receber o gás natural, tem que fazer uma série de adaptações em seus equipamentos e ter a segurança de não haver interrupção no fornecimento do produto”, diz.

Ainda de acordo com o titular do Depar, saber o preço em que esse gás será comercializado e a segurança de ter o combustível na quantidade necessária são aspectos a serem considerados.

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Plano de negócios

O plano de negócios da Gas Brasiliano para o quinqüênio 2005-2009 prevê investimentos de R$ 318 milhões em expansão da rede. Entre 2005 e 2007 foram investidos R$ 143 milhões, cuja verba contempla o ramal de Bauru.

Responsável pela distribuição em toda região Noroeste do Estado, a empresa Gás Brasiliano deverá passar a fornecer o gás canalizado para os usuários industriais e domésticos da cidade no próximo ano.

A rede de distribuição em Bauru é de 59 quilômetros. O traçado inicial prevê o atendimento a usuários de maior volume, como é o caso de indústrias. O gás natural é trazido ao Brasil diretamente da Bolívia, por meio de dutos.

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