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Artesã deixa diploma por sapataria

Ana Paula Pessoto
| Tempo de leitura: 3 min

Ao terminar a faculdade de relações públicas, há três anos, Solange Valdete da Silva Ramos até procurou emprego em sua área em Bauru. Não encontrou e, então, decidiu pendurar o diploma universitário para se dedicar a uma atividade que está quase em extinção: abriu uma sapataria e afirma que está realizada profissionalmente consertando calçados e bolsas.

“Acho que esse tipo de serviço, artesanal, que muitas vezes passa de pai para filho, está perdendo o valor na sociedade. Os jovens, hoje, querem ser doutores, chefes, e dão cada vez menos valor ao prazer de fazer ou de transformar objetos com as próprias mãos”, relata.

Solange conta que a idéia de abrir a sapataria nasceu após ler uma reportagem sobre a extinção das profissões artesanais como alfaiate, barbeiro, sapateiro, entre outras. “Conversei com meu marido, João Ramos, e aliamos meus dotes artesanais à vontade de montar um negócio e a experiência dele como sapateiro. A fórmula vem dando certo há quase seis meses”, afirma.

João, que aos 14 anos aprendeu o ofício da sapateiro e parou a faculdade de administração no terceiro ano, apostou no negócio próprio. “Quando me vi desempregado, uni o útil ao agradável e resolvi apoiar minha esposa nesse empreendimento. Contratamos um sapateiro experiente para nos ajudar e estamos gostando dos resultados”, comenta.

A sapataria está funcionando há seis meses e a demanda de clientes está sendo maior que o esperado. “Foram mais de 1.200 consertos de sapatos, sem contar outros trabalhos, como a reforma de mochilas escolares, por exemplo. Os clientes sempre voltam satisfeitos e fazem a propaganda boca a boca”, completa. Atualmente, João trabalha meio período como auxiliar administrativo em uma universidade. “Mas meu prazer é mesmo cuidar do negócio da família que ganha, a cada dia, mais clientes”, diz.

O trabalho anima Solange, que diz se sentir realizada com sua atividade. “Para mim é um prazer restaurar calçados. Vou fazendo tudo com carinho e delicadeza. Dou o “jeitinho” brasileiro para deixar tudo como o cliente deseja. Quando termino, parece que o calçado acabou de sair da loja. Ao ver o sapato parecendo novo, o freguês nem acredita que era o dele, velho”, alegra-se.

Para ela, a fórmula do sucesso e da felicidade profissional está em fazer o que se gosta e fazer bem. “Eu e meu marido temos dom para o artesanato. A magia e o prazer de transformar o velho em novo, seja um sapato ou uma bolsa. “A diferença está na inovação e na vocação que cada um carrega dentro de si. Somos felizes com esse trabalho que, além de tudo, funciona como um antiestresse”. diz.

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Mais tempo livre

Além de se sentir realizada consertando sapatos e bolsas em sua própria empresa, Solange Ramos ressalta que o trabalho autônomo lhe propicia tempo para dedicar-se a outras atividades que lhe dão prazer, como ser voluntária, por exemplo. “Decidi aproveitar, agora, que administro minha rotina, para ajudar a quem precisa”, alegra-se.

A artesã é voluntária no Abrigo para Idosos Vila Vicentina e no Hospital de Base (HB). “Presto meus serviços nessas instituições duas vezes na semana, mas quando precisam e me ligam, vou assim que posso. Ajudar é comigo mesma. Me sinto bem quando faço caridade. Me sinto útil à sociedade. Acho muito duro ver alguém precisando de ajuda e não recebendo”, afirma.

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