Estivemos na VIII Mostra do Curso de Teatro Paulo Neves. Por motivos particulares e profissionais, fomos assistir só a última apresentação - “Artorquato”, de Antonio Quinet, baseado na obra de Torquato Neto, sob a direção de Paulo Neves.
Conhecendo a formação do Paulo, deparei-me com um texto muito bem dirigido e de uma forma profissional, como nunca havia visto antes. Houve um crescimento na direção, mostrou que tem talento demais para ser um diretor profissional, pois os seus comandados, como Guilherme Nullius, papel principal da peça, teve um trabalho impecável, não só no desenrolar do texto, que é de uma profundidade enorme, como também a interpretação do começo ao fim do espetáculo de forma única e irreparável, principalmente sendo amador e deparando-se com uma cena de nú, não frontal, mas que causou um impacto na platéia, tal foi o peso do espetáculo. Guilherme, continue estudando, pois a arte de representar é estudo até o fim...
O aluno (atores amadores) do Curso de Teatro Diego Dac, com um papel coadjuvante do velho, teve um destaque especial na construção do seu personagem, despertando a curiosidade para a continuidade do seu discurso.
Ana Borges, no papel de anjo, demonstrou segurança, e domínio da técnica de interpretar; a repórter Lívia Jabbour, atriz amadora, onde soubemos que foi a revelação da VIII Mostra na peça “Hoje é Dia de Rock”; pois eu já a havia visto em outros trabalhos nas mostras anteriores, teve um desempenho perfeito, muito boa a sua apresentação, cresceu muito, e tem um futuro próspero à frente. Ana Borges, Ana Leia, Fernanda Janis, Giovanna Brombini, Laís Trovarelli, Larissa de Deus, Nathalia Zonaro e Thiago Neves tiveram suas participações de forma correta e sem falhas, pois todos são importantes na construção da peça, onde cada um tem o seu papel de destaque no contexto geral.
Quando da abertura da peça, Paulo, dirigiu-se à platéia agradecendo a todos que tiveram a oportunidade de colaborar com a Mostra, e em especial a seus dois filhos, Talita e Thiago, que são os baluartes de toda obra feita. Esclareceu da dificuldade de encontrar patrocínio e retornei no tempo quando nossa mãe, profª Celina, fazia a mesma fala. O tempo passa, mas as mentes continuam fechadas, pois cultura não é para qualquer um, cultura não se compra na banca da esquina, nem pela Internet, cultura adquire-se, com muita leitura, com muito estudo, com muita dedicação e com muita vontade de querer fazer. Infelizmente, nossa cidade, tem muito a crescer na parte cultural, pois já dizia Paulo Autran, quando da apresentação da peça“Liberdade, Liberdade”, de Millôr Fernandes e Flavio Rangel, no Automóvel Club de Bauru, peça que percorreu o Brasil inteiro, lotando todas os locais em que se apresentava, e como não podia deixar de ser em Bauru, poucas pessoas na platéia aplaudiam o maravilhoso espetáculo. Ele quando acabou o espetáculo agradeceu, e disparou: “Infelizmente, eu vim uma cidade onde a cultura troca o teatro por uma festa de comes e bebes num clube lá nos Altos da Cidade”, e nunca mais pisou em Bauru.
Portanto, irmão Paulo, acredite: fazer cultura nesta cidade não é fácil, mas mesmo assim há pessoas que acreditam em você, pessoas que ajudam e o que podem e o que não podem, que confiam no seu trabalho, a todas essas o agradecimento da família Neves. Você venceu, mostrou que há jovens com talentos, que há sede em conhecer os segredos da arte de representar, jovens que estudam e vão buscar de forma sadia, dedicando horas e horas de ensaios e pesquisas e que de uma forma salutar descobrem uma cultura que jamais será esquecida por quem quer que seja. Aplausos em pé, a você, meu querido irmão Paulo Neves.
Carlos Neves