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Poeira ao vento


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“O sol refulgia no céu límpido e azul, a água cintilava sob os seus raios, as árvores pareciam mais verdes e as flores mais alegres à sua benéfica influência. A água murmurejava com um ruído agradável; as árvores farfalhavam à leve brisa que lhes agitava as folhas; os pássaros cantavam nos ramos. Era manhã - uma clara e balsâmica  manhã estival; a menor das folhas, o mais diminuto dos talos de grama palpitava de vida. A formiga saía para seu labor cotidiano; a borboleta, revoluteando, aquecia-se aos cálidos raios do sol; miríades de insetos estiravam as asas transparentes e gozavam a breve, posto que feliz existência. O homem caminhava, enlevado pela cena, e tudo era brilho e esplendor”.

Como a fulgaz aurora matutina, o ano de 2008 chegou ao fim.  Melancólico, ferido e angustiado, revivo fatos marcantes, imagens e a velha canção “Dust in the Wind”, doce e serena aos meus ouvidos: “Eu fecho meus olhos só por um momento e esse instante se vai. Todos meus sonhos passam diante de meus olhos, uma curiosidade. Poeira ao vento. Todos eles são poeiras ao vento. A mesma antiga canção, uma gota de água no oceano infinito. Tudo que fazemos desintegra-se na terra, embora nós recusemos enxergar. Poeira ao vento. Tudo que somos são poeiras ao vento”.

Que “ano do Rato”! Olimpíadas na China. O novo presidente dos Estados Unidos: Barack Obama. O jovem prefeito eleito de Bauru, Rodrigo Agostinho. A tragédia recente em Santa Catarina. Recordo dos velhos e novos rostos. Reaparecem e somem de  minha vida. Também lembro de ti. Não consigo esquecê-la. É difícil! Não esqueço também dos meus erros e das tolices que se repetem incansavelmente. Relembro as perdas, os danos, os fracassos, as frustrações, os desejos que morrem e renascem. Agradeço ao anjo de olhos verdes que me acompanha todos os dias.

Ah! Decidi que em 2009 serei mais amoroso, mais bondoso, mais compassivo. Ajudarei as pessoas que estão cegas nas trevas, na escuridão, sem esperança ou perspectiva. Desviarei do mundo lodoso dos desejos egoísticos, da ganância, da raiva. Defenderei, trarei alívio, ficarei feliz em amar as árvores, os pássaros, os animais, os seres humanos, todo mundo - incondicionalmente, sem pedir nada em troca. Pedirei perdão e perdoarei quem me agredir com atos ou palavras. Sei que as sementes da compaixão, bem como outras virtudes, estão plantadas na minha essência. Dentro do meu peito há uma fonte permanente de felicidade, alegria e paz. Um manancial inesgotável de afeto e devoção. 

No cotidiano cinzento, evitarei os prazeres medíocres que o mundo oferece. Não alimentarei os meus ressentimentos, rancores e medos. Não construirei um muro amalgamado com a hipocrisia, a discórdia, a indiferença e o preconceito. Não viverei vazio, oco, perdido e revoltado entre sonhos e frustrações. Não insistirei em reter coisas, pessoas, posições e ideologias na ânsia de ser feliz. Escutarei! Agasalhar-me-ei com  Deus dentro de mim! Buscarei ser a imagem e semelhança Dele.

E logo, quando o breve bruxulear da vela da existência se apagar, não serei poeira ao vento. Tudo que farei não se desintegrará na terra. Não serei esquecido. Não viverei perdido na multidão dos perdulários dos divinos talentos. Não serei um fraco a mais, um traidor da própria vida, que sente-se frustrada diante de meu fim. Não posso parasitar a vida e inutilmente ocupar o tempo e o espaço de Deus. Não posso meramente ser vencido pelo fim, sem ter atingido a meta.  Serei superior à tristeza, à adversidade e à desgraça! Jamais desistirei dos meus sonhos! Não terei limites para sonhar! Jamais enfraquecerei! Jamais admitirei que o jogo está perdido! Não existirá a palavra impossível para mim! Terei coragem! Vencerei! Triunfarei! A todos, um iluminado Ano Novo!

O autor, José Renato Ferraz da Silveira, é coordenador do Curso de Relações Internacionais do IESB-Preve

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