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Feliz Ano Nove


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Durante todo este ano ao chegar a uma das cidades em que leciono, Catanduva, deparei-me com os seguintes dizeres: “Bem-vindo a Catanduva, uma senhora cidade!”. Levei os dizeres à sala de aula, numa determinada aula de adjetivos e perguntei aos alunos por que não era Catanduva “uma cidade senhora” e eles responderam imediatamente que mudaria o sentido, seria uma cidade “idosa”, “antiga” e que, com a anteposição do adjetivo, Catanduva apresentava-se como uma pujante, ótima, destacada cidade entre as demais do Estado de São Paulo.

Quando era criança, ouvia muito entre as falas e modismos um jogo de palavras interessante que dizia: “Prefiro um cachorro amigo a um amigo cachorro.” Posteriormente, li em uma das inúmeras genialidades do Bruxo de Cosme Velho, Machado de Assis: “A verdade é que eu não sou propriamente um autor-defunto, mas um defunto-autor...” Coisa de gênio, substantivo torna-se adjetivo em dois sentidos raros e inigualáveis, o Bruxo diz em “Memórias Póstumas de Brás Cubas” que não é um escritor morto, mas um morto que escreve! Telê Santana, em seus áureos tempos de futebol-arte do escrete canarinho, dizia que seu time teria um ponta falso, seria um ponteiro que faltaria com a verdade? Não quereria o velho mestre de novos esquemas dizer falso ponta? Ainda Machado de Assis disse que “os substantivos passam, os adjetivos ficam. É isso que me intriga a esta época do ano. O correto é “Feliz Ano Novo” ou “Feliz Novo Ano”? Novo significa “que nunca havia acontecido antes”, “recém-chegado”, “ainda não usado ou servido”, “de pouco uso”. Então, o que queremos: um ano “ novinho em folha” ou um ano “diferente de tudo, em primeira mão?”

Queremos um ano “sob nova direção?” Uma montadora de veículos veicula a seguinte propaganda: “Viva o novo”. E ano velho? Ou seria o velho ano? Alguém desejaria “Feliz Ano Velho”? Talvez e tão somente Marcelo Rubens Paiva em sua obra máxima ou seria: “Feliz Ano,Velho!”

O que importa é desejarmos a novidade, uma nova idade dentro da realidade, que se reparem os erros, que se renove o mundo, que o email dê lugar ao encontro, que a sorte substitua a morte, que o medo vire brinquedo, que a violência perca a paciência, que o desejo se torne beijo, que o livro seja livre, que o abraço tenha espaço, que todos tenham um grande ano, paradoxalmente um “anão” ou todos os sete, um para cada dia da semana; que Zangado sorria porque está sendo filmado, que Dunga convoque o futebol-arte, que Atchim tome Benegrip, que Mestre aprenda que o melhor é ensinar aprendendo, que Dengoso mate, finalmente, o mosquito, que Soneca se desperte do berço esplêndido e que Feliz faça um ano novo ou um novo ano feliz para todos!

Que todos tenham um feliz ano Nove! E para o novo prefeito novo Rodrigo Agostinho uma nova Bauru nova em 2009! Feliz ano novo ano para todos!

O autor, professor Sinuhe Daniel Preto, é professor e colaborador de Opinião

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