Fogos, muitos fogos. E assim o governo de Israel comemora o Natal implementando o Eretz Israel Shleima (Terra de Israel Completa) na ocupação da Palestina. O conflito, que já dura 61 anos, talvez esteja bem próximo de acabar. O premier da nação judia decretou a solução final: “A resistência jamais triunfará!”. Parece frase do Gobbels após ter tomado Paris na Segunda Guerra, mas quem propalou em alto e bom som foi o militar sionista Ariel Sharon, comemorando uma operação militar bem sucedida contra palestinos nos arredores de Jerusalém na década de 50, onde foram ceifadas as vidas de 82 civis. “Mas eram árabes terroristas”, justificou para comunidade internacional dias depois. De fato, o comandante da Unidade 101, responsável direto pelo assassinato de mais de 2.800 cidadãos palestinos antes da criação do Estado de Israel, estava cumprindo seu deve na formação do estado Judeu.
Sem nos atermos às discussões mais acadêmicas da origem do conflito ou as versões da qual somos bombardeados todos os dias pela imprensa, pontuei fatos e declarações que nos remetem às atrocidades cometidas contra os judeus pelo governo alemão na Segunda Guerra. E não por coincidência, mas por simples comparação, o governo de Ehud Olmert e Shimon Peres envergonha a humanidade e o povo de Israel. O extermínio de palestinos já vem a décadas, mas após a morte de Arafat tomou proporções animalescas, numa vingança psicosocial onde as cobaias desta experiência são as mulheres árabes violentadas nos postos militares ou as crianças caolhas ou manetas que persistem em se juntar à resistência para defender seu território atacando a pedradas os enormes tanques de exército israelense.
Comemorar o Natal, para o povo israelense, que entrou para a história da humanidade por sua perseverança em celebrar a vida, se tornou um ritual macabro, que para salvaguardar sua existência debita seu ódio aos quase 1.200.000 palestinos que vivem na Faixa de Gaza para matar “terroristas” ou sufocar a resistência legítima de um povo que está sob ocupação militar e todas as suas liberdades tolhidas.
O Estado de Israel nasceu sob o propósito de dizer ao mundo que as minorias étnicas teriam um lugar no mundo e que jamais um povo teria o direito de extinguir outro sob qualquer propósito. E para isso o povo Judeu foi tenaz, dando exemplo ao mundo de como subsistir ao holocausto. Hoje, porém, se abriga na justiça de sua própria história para massacrar seu semelhante sem piedade, regando solo fértil para germinar por gerações o preconceito fugaz contra os povos árabes, lançando mão da diplomacia conciliadora para construir alicerces que outrora serviram de motivações aos ferrenhos discursos de cólera proferidos por Hitler.
Defender a soberania da Palestina não é apenas defender uma cultura, uma nação, um povo, é antes de tudo defender o mais fraco do mais forte, o justo do injusto, a vida e não a morte, é comemorar a Natal olhando para Cristo e nos vermos na condição de humanos, é estar sensível às mazelas sociais que nos incomodam dia-a-dia, mas cientes de que um povo inteiro padece sob o julgo do preconceito e da intolerância, é ter piedade cristã em saber que um irmão morre a pretexto da Terra Santa prometida a um povo que pela força impõe sua solução final.
O autor, Alex Gasparini, esteve na Palestina em 2002 e 2005, é ex-vereador, presidente do PMDB de Bauru e membro da Federação Mundial das Juventudes Democráticas