Washington - O presidente eleito dos EUA, Barack Obama, foi lacônico ao comentar ontem - pela primeira vez desde o início da ofensiva militar israelense, a situação na faixa de Gaza.
Obama afirmou estar recebendo relatórios diários sobre o conflito, se disse “preocupado” com a situação, mas ressaltou que não intervirá nas “delicadas negociações” diplomáticas em andamento. “Não pode haver duas vozes vindo dos EUA”, disse o presidente eleito.
Obama vem sofrendo críticas da esquerda norte-americana e do mundo árabe por seu silêncio sobre o conflito em Gaza, que estourou enquanto ele desfrutava férias no Havaí. O chanceler palestino, Ryiad al Maliki, por exemplo, lembrou que o democrata não tardou em condenar os ataques terroristas a Mumbai, em novembro.
Mas as declarações de ontem indicam que Obama deve manter a posição neutra até assumir a Casa Branca, no dia 20.“Este é o momento ideal para Israel conduzir essas ações e é bom tanto para a equipe de Obama quanto para o governo Bush. A transição nos EUA serve como cobertura para Israel fazer o que precisa fazer”, disse David Rothkopf, que trabalhou na equipe de segurança nacional de Bill Clinton.
Bush, que já havia expressado por meio de porta-vozes seu apoio a Israel, também fez ontem suas primeiras declarações públicas sobre o conflito, pelo qual responsabilizou o Hamas. “Em lugar de se preocupar com as condições de vida da população em Gaza, o Hamas optou por usar o território para lançar foguetes para matar a inocentes. Por isso, Israel decidiu proteger os seus cidadãos” e disse que o cessar-fogo depende do fim dos disparos do Hamas.