Não trago informações bombásticas, verdades inabaláveis, opiniões fortemente edificadas com fatos. Permito-me trazer apenas uma reflexão íntima, mas que, com certeza, já passou pela cabeça de milhares de pessoas. Pego um fato recente e o esmiúço: terminei minha faculdade. Posso dizer, com certo orgulho, que agora tenho meu diploma do terceiro grau (mesmo que minha categoria ainda sofra com duros golpes quanto a obrigatoriedade desse diploma).
Depois de tanta ralação, estresse, intermináveis (e agradáveis) horas dentro de uma van para chegar a facul, infindáveis momentos de canseira no meio da aula, alegrias em saber o adiamento de uma prova, brincadeiras com meus amigos e uma interminável lista de bons e maus momentos, fecho meu ciclo universitário com um diploma. E é com esse canudo, tão idealizado e pré-concebido como uma chave para o sucesso profissional, que me coloco a refletir.
Tudo parecia tão sólido, forte, mas de repente meu chão se abriu, como num fosso. Havia terminado mais uma etapa de minha vida, fechado um ciclo tão delicioso e envolvente, que seu fim parecia mentira. Mas era verdade e eu, aos poucos, pus-me a refletir o quão repleto de ciclos é a vida.
Tudo é feito de começo, desenrolar das coisas e fim. E o fim representa, muitas vezes, novos questionamentos: O que farei agora? Quais caminhos devo seguir? Estou certo em querer isso?
E nesse turbilhão de interrogações, surge no horizonte um marasmo no mar outrora revoltoso. Se antes me preocupava com as provas, as discussões em grupo, o tão temível trabalho de conclusão de curso, o que me aflige agora é um silêncio. E também os questionamento acima citados.
Não que não existam planos. Eles existem. Mas o estranho é que ficamos órfãos de nossas próprias escolhas e apontamentos. Se antes tinha a faculdade para me apoiar com um singelo “sou estudante”, agora fico perdido. Em que categoria me coloco? Desempregado? Não é tão sonoro quanto antes, mas talvez seja a realidade que é visível - e palpável. Infelizmente.
Porém, antes de me apoiar em designações, recosto minha cabeça em lembranças: todos os ciclos pelos que passei ofereceram-me experiências, conhecimentos e me ajudaram a dar meus primeiros passos, seja profissional ou socialmente. Perdas, vitórias, dores, alegrias, os ciclos sempre representam uma infindável soma de sensações e descobertas.
Para finalizar, busco inspirações em Fernando Pessoa: “Tudo vale a pena quando a alma não é pequena”. Ou melhor: “Navegar é preciso, viver não é preciso”, pois “Viver não é necessário; o que é necessário é criar”. E de criações são feitos os ciclos.
O autor, Juliano Schiavo, é jornalista