Se romã for mesmo garantia de prosperidade, não vai faltar dinheiro neste ano numa casa situada na Vila Nove de Julho, em Bauru. Os delicados galhos de uma árvore plantada num quintal quase todo cimentado na quadra 2 da rua Francisco Lopes Filho, mal conseguem mantê-la. O fruto tem 41 centímetros de diâmetro, cerca do dobro de um normal.
“Ganhei uma muda há dois anos, no aniversário da minha filha. Mas esse ano me surpreendeu. Apareceu essa romã enorme. Não sei se é a terra do meu quintal. Acho que tive sorte depois que a ganhei”, comenta a dona de casa Catarina de Moraes Zagatto. Entre os mais próximos, tornou-se doadora de romã - fruta bastante procurada entre o final do ano e o dia 6 de janeiro (Dia de Reis) para simpatias das mais variadas.
Uma delas é tradição na família da dentista Alexandra Kesam, que nunca esquece Belchior, Gaspar e Baltazar. Desde criança, ela cumpre um roteiro no dia em que os magos são homenageados, onde as sementes do fruto são imprescindíveis. “Nosso pé de romã veio da Síria. Dando certo ou não, a gente sempre faz, é uma tradição. Meus avós faziam. Mas sou supersticiosa”, admite. Para quem quiser aproveitar o exemplo, basta contar com três sementes, champanhe ou vinho, além de um papel vermelho.
De acordo com a dentista, é só separar três sementes - cada uma representando um dos reis – e colocá-las na taça com a bebida. Na seqüência, pegue-a e chupe-a. Após sorvê-la, escolha um dos três para dizer, por exemplo, “Belquior, traga o dinheiro para cá”. Repita a frase com os outros dois. Por fim, pegue as sementes, embrulhe num papel vermelho e coloque-o na carteira. Ele só será substituído pelo papel da simpatia realizada no próximo ano, também no dia 6.
A data, porém, carrega uma outra tradição, ainda mais comum entre as famílias. A de se despedir dos enfeites de Natal. Ano após ano, desde a infância, a advogada Patrícia Juliana de Oliveira desmonta sua árvore de Natal justamente no Dia de Reis. “Vou levar isso para sempre, inclusive quando tiver os meus filhos. Começo guardando os penduricalhos e depois pisca-pisca. Isso por uma questão de facilidade”, explica. Trata-se da seqüência contrária de quando monta a árvore.
Ao começar a decoração natalina, instala inicialmente a estrela no topo da árvore. No dia 6, ela é a última a ser retirada. Exposto ou não, com ou sem romã, o desejo é de que o astro cintile o resto do ano, em todas as casas.