Sharm El-Sheikh - O Egito disse ontem que está propondo um cessar-fogo imediato entre Israel e os palestinos em Gaza, a ser seguido por negociações para um acordo, incluindo o fim do bloqueio a Gaza.
O presidente do Egito, Hosni Mubarak, apresentou a proposta em uma rápida declaração após se reunir com o presidente da França, Nicolas Sarkozy, no resort egípcio de Sharm el-Sheikh.
A proposta não menciona muitos dos elementos que diplomatas disseram estar sob discussão, como uma força internacional para evitar que o Hamas receba armamentos.
Mubarak não disse que papel o Hamas desempenharia nas conversas que ele propõe. Israel e os europeus que têm atuado diplomaticamente não falam com o grupo islâmico.
A proposta egípcia, lida por Mubarak, contém os seguintes pontos: Israel e as facções palestinas devem aceitar um cessar-fogo imediato por um período limitado, o que permitiria a passagem com segurança de ajuda humanitária para Gaza e daria ao Egito tempo para continuar seus esforços para um amplo e duradouro armistício.
O Egito convidaria tanto Israel quanto o lado palestino para um encontro urgente a fim de obter arranjos e garantias que assegurem que a atual escalada não volte a ocorrer e lidar com as causas, incluindo a proteção de fronteiras, reabrindo os pontos de travessia e levantando o bloqueio imposto por Israel.
Proposta israelense
O governo israelense expôs ontem as suas condições para uma solução diplomática à ofensiva contra Gaza.
Em declarações ao jornal “Haaretz’’, o premiê Ehud Olmert se disse disposto a um cessar-fogo desde que inclua o envio de uma força internacional à fronteira entre Gaza e o Egito para impedir que o Hamas continue usando o local para se abastecer em armas -entre as quais alguns dos mísseis disparados contra Israel.
Formada por um contingente armado com poderes militares, a força teria a missão de destruir as dezenas de túneis subterrâneos usados pelo Hamas para infiltrar material bélico em Gaza e de monitorar a área para impedir que o grupo islâmico faça novas escavações.
O premiê não deu detalhes sobre que países ou órgãos multilaterais formariam parte da missão de paz.
Corredor humanitário
Israel vai criar um “corredor humanitário” para a Faixa de Gaza, disse o gabinete do primeiro-ministro Ehud Olmert ontem, depois de agências humanitárias se queixarem das crescentes dificuldades para os cerca de 1,5 milhão de palestinos que habitam a região.
Em nota, o governo de Israel disse que o corredor era uma recomendação dos chefes militares, e garantirá acesso periódico a várias partes de Gaza para permitir o abastecimento básico dos palestinos. O porta-voz Mark Regev disse que a medida é “um status especial para permitir a transferência de pessoas, alimentos e remédios”, e que será implementada a partir de hoje.