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Casal negro tem filho branco e suspeita de troca de bebês no Rio

Folhapress
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Niterói - A cozinheira Alexsandra Santos de Oliveira, 34 anos, torce para que o menino Gabriel, de apenas 2 meses, seja, em suas palavras, um irmão “alemãozinho no meio de um monte de crioulinhos”. Mas desconfia de que o bebê branco de olhos claros que carrega no colo desde 3 de novembro não seja seu filho com o servente Alexandre Assunção Maciel, 34 anos.

Desde que ela deu à luz no hospital Azevedo Lima Branco e saiu com um bebê branco, com cabelos lisos e olhos azuis, o casal de negros, moradores de Niterói (região metropolitana do Rio), convive com comentários dos vizinhos sugerindo que Alexandre não é o verdadeiro pai. Alexsandra, que tem seis filhos, todos negros, só considera duas possibilidades: uma troca de bebês ou um “dedinho da genética”. Ela afirma que tem uma sobrinha, um tio e um bisavô de olhos claros. Alexandre diz ter só parentes negros.

Para Letícia Guida, pesquisadora geneticista do Instituto Fernandes Figueira da Fiocruz, é possível que a criança seja filha do casal, já que “a população como a nossa é totalmente miscigenada, com ascendentes europeus e africanos misturados”. “O gene negro é dominante, e o branco, recessivo. A mistura deles determina a tonalidade da pele.”

O casal, que esperou dois meses para ver se o bebê “escurecia” - ele sofreu de icterícia, que deixa a criança pálida por até duas semanas -, fez ontem um exame de DNA, cujo resultado deve sair semana que vem.

A cozinheira aponta falhas na documentação do hospital para levantar a hipótese de troca de bebês. O diretor do hospital, José Luiz Medeiros, afirma não acreditar na hipótese de troca.

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