Sem mendigos, sem crianças fora da escola e com uma população educada que fala mais de um idioma. Se você pensa que estamos falando de algum país de primeiro mundo se enganou. Essas são algumas percepções do bauruense e professor de história Carlos D’Incao sobre Cuba. Ele passou 15 dias na terra de Fidel Castro nas duas primeiras semanas desse ano.
O fato de não encontrar crianças fora da escola chamou a atenção de Carlos. “Me marcou não ter encontrado nenhuma criança fora da sala de aula”, disse. A falta de mendigos também foi notada. “Todos vivem com dignidade e eu não vi nenhuma pessoa miserável”, completou.
A civilidade e cidadania do povo cubano foi outro ponto marcante na visita de Carlos. “Havana é uma cidade limpa onde ninguém joga papel no chão, todos são muito bem educados e ainda falam inglês e francês”, comentou. Ao todo, o professor conheceu oito cidades e sempre manteve a mesma impressão. “Eles têm muito cuidado principalmente com os espaços públicos”.
Outro fato pitoresco da ilha foi o de que existem bares em todos os lugares com excelentes músicos. “A qualidade dos cantores é excepcional”, opinou.
Conhecedor da história da pequena ilha, Carlos disse que essa foi a primeira vez que viajou à ilha. O regime centralizador imposto por Fidel, segundo o professor, está sendo diluído pelo novo presidente Raúl Castro – irmão de Fidel. “Ele tem uma tendência de interligar com os pares do que centralizar”, avaliou.
Ele notou também que os deputados cubanos possuem liberdade para criticar ações do governo. “Ao contrário do que se pode imaginar, existe pluralidade de pensamento”, disse.
Assim como no Brasil, é proibida em Cuba a existência de organizações contra-revolucionárias. “A constituição da ilha também estabelece a proibição de organizações terroristas e racistas”, disse. No entanto, os cubanos não podem sair livremente do país. “Quem nasce lá deve ter uma carta-convite de outro país. A partir daí quem vai viajar pede autorização do governo que, por sua vez, financia essa viagem”, revelou.
Carlos reparou que simples medicamentos, como remédio para desobstruir o nariz, são importados por Cuba, o que torna seu preço muito caro para a população. “As máquinas para produzir alguns remédios quebraram e as peças necessárias não são vendidas por nenhum país devido ao embargo econômico feito pelos Estados Unidos”, disse. “Por isso o governo cubano tem que fazer a importação e fornecer o medicamento nos hospitais para os doentes, mas apenas remédios para doenças mais graves e apenas bens de consumo podem ser importados”.
A idéia de que os cubanos ganham baixo salário é enganoso, segundo Carlos. “O poder aquisitivo é suficiente para ter uma vida digna. As contas de água e luz são baixas”, revelou. “A expectativa de vida de um cubano é maior que a de um norte-americano”, analisou o professor. Os homens americanos vivem em média de 78 anos e as mulheres 82 anos.
Ele pôde perceber que, apesar do embargo, os cubanos assistem nos cinemas os filmes americanos. “Estava passando o último Batman quando eu estava lá”. As novelas brasileiras também fazem sucesso na ilha. “Eles adoram e estavam assistindo agora a novela Mulheres Apaixonadas”, disse.
Como Cuba fica aproximadamente a 180 quilômetros de Miami, algumas cidades conseguem pegar a transmissão de canais como CNN em Espanhol, BBC e canais que falam mal do governo cubano. “Mesmo que o governo de Cuba quisesse impor censura, não iria conseguir”, disse.