Os bauruenses que não abrem mão de um bom prato de carne à mesa terão garantia de economia se aproveitarem o momento. Nos supermercados e casas de carne da cidade, o preço médio da carne bovina está entre 10% e 15% mais barato desde a última semana.
O decréscimo foi sentido, principalmente, nos cortes dianteiros - as chamadas carnes de segunda - como acém, fraldinha, paleta, costela e patinho. Mas alguns cortes de primeira, como o coxão mole, também já começam a registrar queda de preços.
Em uma casa de carnes localizada no Jardim Europa, o quilo desse tipo de carne, vendido a R$ 13,50 no início do mês, atualmente é comercializado a R$ 13,50. A mesma variação foi registrada no preço do patinho. Já o quilo do coxão duro não será encontrado por mais de R$ 11,90.
O proprietário do estabelecimento, Nélson Benedito de Souza, acredita que não haverá reajuste de preços pelo menos até o final de fevereiro. “No início do ano, o consumo tradicionalmente cai, então os preços também diminuem. Quando a demanda voltar a acompanhar a produção de carne, os preços devem subir novamente”, comenta.
Atento à boa oportunidade de compras, o comerciante João Campoi, 49 anos, ensina que, com um pouco de paciência, é possível encontrar nos estabelecimentos da cidade até mesmo filé mignon mais em conta. “O quilo estava R$ 25,00 e agora estou comprando por R$ 16,00, que era o preço que eu pagava pela alcatra. Estou aproveitando essa baixa para levar uma carne melhor para casa”, revela.
Gestor de compras de uma rede de supermercados na cidade e criador de gado, César Ortiz afirma que a diminuição do valor da carne é reflexo direto da retração da demanda externa e interna pelo produto no último mês. “A dificuldade de exportação para países considerados grandes compradores de corte dianteiro, como a Rússia, fez com que o preço desse tipo de carne caísse bastante”, frisa.
Oscilação
Ele explica que, em dezembro, o preço das carnes recuou 15% em média mas, no início do ano, sofreu elevação. Há uma semana, registrou nova queda. “Essa oscilação ocorreu porque muitos frigoríficos deixaram de abater na última semana do ano, reduzindo os estoques. Com a retomada do abate, a diminuição dos contratos de exportação e a cautela do consumidor, sobrou muita carne no mercado”, detalha.
No estabelecimento em que Ortiz trabalha, o quilo da costela caiu de R$ 6,70 para R$ 3,97. Já a paleta passou de R$ 7,90 para R$ 6,95 e o acém, de R$ 9,50 para R$ 8,90. Como resultado, as vendas já aumentaram em torno de 10%. “O consumidor vem buscar mesmo. Quem sempre compra carne, invariavelmente já percebeu e está aproveitando esse momento”, explica.
Para o presidente da Federação da Agricultura do Estado de São Paulo (Faesp), Maurício Lima Verde, a queda de preço foi estimulada pelo período de safra do boi gordo, que começa em janeiro e segue até abril, quando há crescimento da oferta de carne. Ele comenta que, em três meses, o preço da arroba do boi caiu de R$ 90,00 para R$ 83,00, fato que também pode ser conseqüência da crise financeira internacional.
“Mas os pecuaristas não estão sofrendo perdas. Poderia estar melhor, mas essa queda era esperada, porque é histórica, devido ao período de chuvas, quando o gado engorda mais”, pontua.
Embora acredite que os preços permaneçam no mesmo patamar até meados de maio, ele ressalta que qualquer imprevisto até lá - como um surto de febre aftosa, por exemplo - poderá gerar um novo aumento.