Guarulhos - O desempregado José Luís Milani, 54 anos, assassinou a mulher dele, Virgínia Aparecida Santa Chiara, 45 anos, e se trancou dentro de casa ameaçando se matar por oito horas, ontem no bairro Bom Clima, em Guarulhos (Grande SP). Um cerco de 60 policiais militares foi montado até que o homem se entregasse.
O casal passou a noite discutindo, segundo a Polícia Militar. Às 8h, Milani se trancou no banheiro com a mulher e deu um tiro na testa dela com uma pistola calibre 380.
As filhas do casal, de 15 e 9 anos, saíram correndo da casa após ouvir o tiro. Elas foram chamar o pastor da igreja Assembleia de Deus, que frequentavam junto com a mãe.
O pastor foi até a casa da família tentar convencer Milani a se entregar, mas não teve sucesso. Ele, então, foi correndo até o batalhão da PM.
Vinte policiais do Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate) e outros 40 PMs participaram do cerco. Entre eles, estava o negociador do caso que terminou com a morte da estudante Eloá Cristina Pimentel, Adriano Giovanini.
Milani exigiu cigarros, a presença da Polícia Federal e a de parentes. Uma delegada da PF e três agentes foram ao local e os cigarros também foram dados ao homem. Porém, a presença de parentes foi negada. “Ele poderia vê-las como despedida e se suicidar”, afirmou o coronel Wagner César, da PM.
O oficial contou que a irmã de Milani ajudou na negociação, falando pelo celular com ele. “A irmã foi orientada sobre o que podia falar”, disse. Segundo ele, o homem parecia ter problemas mentais.
A invasão da casa ou a ordem para que os atiradores agissem eram as últimas alternativas, segundo o coronel.
O homem entregou a arma às 16h e, meia hora depois, foi preso. Ainda não se sabe qual foi o motivo do crime.
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Histórico de violência
Guarulhos - José Luís Milani é descrito por vizinhos que frequentavam a casa dele como alguém violento e problemático. “Ele bateu tanto em um cachorro dele que o bichinho ficou cego”, contou uma vizinha. Além disso, todos na rua acreditam que ele batia na mulher.
Milani tem um problema na perna e está desempregado há pelo menos quatro anos.
Uma amiga da filha mais velha de Milani contou que o casal brigava muito. “Ele brigava porque ela (a mulher dele) ia na igreja”, contou a jovem, que passou o dia de anteontem na casa da família - um quarto sala e cozinha, em uma construção grande, com outras sete residências iguais.
A reportagem não teve acesso ao preso. Ele não tem advogado.