No passado, as praças públicas desempenhavam um importante papel no desenvolvimento de qualquer cidade. A maior parte delas era projetada para proporcionar bem-estar a seus freqüentadores. Bancos, passeios e chafarizes podiam faltar. Em geral, as cidades se desenvolviam em torno desses espaços, muitos deles “batizados” como a praça da matriz, por estarem localizados ao lado das catedrais. Em Bauru não foi diferente: o “marco zero” da cidade é considerada a Praça Rui Barbosa, onde está localizada a Matriz do Divino Espírito Santo.
Mas o descaso, o abandono de muitos anos e a falta de manutenção transformaram a maior parte das 270 praças públicas existentes na cidade em espaços sem vida e, pior, sem utilização. Fora as principais, como a própria Praça Rui Barbosa e a da Paz, as demais sofrem com os longos anos sem a manutenção correta e, ao invés de atrair a presença das pessoas, são vistas cada vez mais com receio.
O próprio secretário do Meio Ambiente de Bauru, Valcirlei Gonçalves Silva, concorda que para revitalizar as praças e atrair freqüentadores será preciso muito esforço, trabalho e investimento financeiro. Sem verba suficiente, diz, o jeito é fechar parcerias.
Por essa razão, de acordo com o secretário, a Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma) tem um desafio e tanto pela frente, que envolve projetar novos espaços públicos em bairros que ainda não contam com eles e, simultaneamente, revitalizar os já existentes.
Cilene Maria Sales Guelfi lamenta a situação que a praça próxima à sua casa, no Jardim Terra Branca, se encontra. O local, que leva o nome de Carmelita Santos Souza, não tem nem calçamento. O abandono da área é tão visível que entre as plantas ornamentais existe uma mangueira, que pelo terceiro ano consecutivo fornece frutos para as crianças do local.
A falta de bancos e passeios públicos fazem com que as pessoas passem pelo local apenas para cortar caminho, sem ao mesmo notar que aquele espaço é mais uma praça municipal. “Sabe, durante o dia, a gente se arrisca a vir até aqui, mas durante à noite é loucura, o perigo de ser assaltado ou atacado por alguém mal intencionado é muito grande”, ressalta.
A moradora até brinca com a situação. “Antes, quando eu era criança, minha mãe deixava eu brincar à noite só se fosse na pracinha que existia em frente à minha casa. Hoje eu recomendo para meus filhos brincarem longe dela”, lamenta Cilene.
Nilson Ghirardello, professor e vice-diretor da Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação (Faac), câmpus de Bauru, defende que as praças tenham um projeto que ofereça bem-estar e ambiente agradável, além de boa localização. Esse conjunto de fatores ajudaria tais espaços públicos a terem vinda longa.
O professor, que é idealizador do projeto da Praça da Paz, inaugurada ainda na primeira gestão do ex-prefeito Tuga Angerami, acredita que somente um bom projeto arquitetônico e paisagístico não é suficiente para atrair as pessoas para esses locais. “A vida nesse espaços faz com que ela se autovigie”, explica. Dessa forma, o professor defende as construções de praças públicas onde haja grande movimentação ou concentração de pessoas todos os dias.
A Praça dos Expedicionários, localizada na Jardim Bela Vista, região oeste, é um exemplo de praça que se autovigia. O local é freqüentado diariamente por todos os públicos. Lá, crianças brincam, é possível encontrar casais de namorados e adultos e idosos aproveitam o ambiente agradável do local para descansar à sombra, formada por grandes árvores que cresceram por ali.
“Nessa praça, além da banca de jornal, do ponto de táxi, o supermercado garante movimentação permanente na área e isso faz com que ela seja vigiada pelos próprios usuários diariamente”, explica Ghirardello.
Milena Fernanda Souto trabalha em uma empresa perto da Praça dos Expedicionários e conta que todos os dias, no intervalo de trabalho, corre para lá para fazer uma refeição rápida. “Tem sempre gente que vende cachorro-quente ou espetinhos de carne. Por isso não só eu, mas muita gente procura pela praça durante o intervalo”, garante.
Outra praça bastante freqüentada é da Bíblia, localizada próxima à região central da cidade e que dá acesso ao bairro do Jardim Bela Vista. O espaço foi adotado em setembro de 2007 por uma empresa da cidade, a exemplo de outras 23 que também tiveram a mesma “sorte”. Com as filhas Bianca e Patrícia, a mãe Simone Aparecida Santos Souza aprovou a conservação do local. “Aqui sim dá para passar horas enquanto as crianças se divertem”, afirma.