Derrotado nas eleições municipais, o PSDB de Bauru adotou uma postura de não se confrontar com o governo de Rodrigo Agostinho (PMDB) nestes 25 primeiros dias de nova gestão, mas essa tática empurra o seu companheiro de aliança, o DEM, para a oposição ao governo peemedebista.
A principal liderança na Câmara de Bauru, o vereador Marcelo Borges (PSDB), adota a tática do “bate e assopra” e evita radicalizar com a administração.
Rodrigo tem dialogado com os tucanos por depender muito do governo do Estado. Os tucanos, por outro lado, estão de olho na sucessão de 2010 e evitam inimizades. O governador José Serra já constrói a sua candidatura a presidente da República e atraiu para o governo Geraldo Akckmin, que tem um forte aliado em Bauru, o deputado estadual Pedro Tobias. Também faz política de boa-vizinhança com o presidente Lula.
Serra prometeu e já deu início ao processo de licitação para a construção da avenida Nações Unidas Norte, cuja obra, mesmo sendo executada com recursos do Estado, também beneficia o atual prefeito. Apesar de estarem em lados opostos, os interesses os atrai.
Borges foi a São Paulo acompanhar a assinatura dos convênios do governo do Estado para recuperar vicinais em todo o Estado junto com Rodrigo. O prefeito bauruense posou para uma foto ao lado do deputado Pedro Tobias (PSDB) e vereadores tucanos.
Na volta, Rodrigo e Borges trocaram figurinhas e os dois “pavimentam” uma tentativa de convivência harmônica, apesar de estarem em lados opostos.
Já o DEM vem se distanciando deste lado do tabuleiro político, até por não depender da prefeitura e não simpatizar com o peemedebista. Mas para o partido ter força depende dos votos do PSDB, PP e PPS. Como os tucanos não têm se esforçado em manter a coesão oposicionista, os demistas vêm se distanciando. O PP já é governo e o PPS fica mais neutro.
Outros rumos
A vitória do Pastor Luiz (PTB) na eleição da presidência da Câmara chamuscou o DEM. Os demistas chegaram no dia da eleição no Legislativo com a convicção de que Chiara Ranieri seria a nova presidente da Casa.
A estratégia era de o partido deter o controle do Legislativo. Para tanto, negociou com o PV e buscou apoios pontuais no PSB, mas a estratégia não deu certo.
O sonho do partido era emplacar o ex-promotor de Justiça José Roberto Segalla como candidato, mas não teve apoio do PSDB. Os tucanos querem ser o fiel da balança dos dois lados. Se pendem para oposição dá trabalho, mas a postura light pode capitalizar politicamente para o partido. Também é um meio de neutralizar o PT.
Dada a dificuldade de viabilizar Segalla para presidir o Legislativo, o DEM apostou no “sangue novo” – Chiara Ranieri, a única mulher no atual parlamento que vem sendo preparada como futura liderança do grupo. A base do governo decidiu que a Mesa da Câmara devia ficar com a base de apoio, mesmo que fosse eleito um vereador não tão articulado como Renato Purini (PMDB) e José Carlos Batata (PT).
O Pastor Luiz foi a grande “sacada” para derrotar a “oposição”, mas também empurra o DEM para fora de qualquer tipo de aproximação.
O DEM também corre o risco de perder a Comissão de Justiça e Redação da Câmara, a “menina dos olhos” das comissões permanentes para quem deseja deter poder no embate situação e oposição. Os demistas acreditam que têm o melhor quadro – José Roberto Segalla -, mas o PSDB também quer e aproveita o trânsito com a situação para buscar o almejado cargo. Mais uma derrota deixará o DEM na oposição como a “consciência crítica” de um governo multifacetado por vários partidos, porém forte principalmente com nomeações em cargos de primeiro e segundo escalões.
O PSDB light é na verdade a facção do partido que elegeu seus representantes no Legislativo e não tem nada a ver com o candidato a prefeito derrotado Caio Coube.