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Criatividade para enfrentar a crise

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 2 min

Uma loja que funciona 24 horas por dia sem fechar aos domingos e feriados vendendo sapato feminino. Essa é a aposta do empresário calçadista de Jaú Osvaldo Nalio que coloca em funcionamento na próxima segunda-feira, uma loja virtual. A expectativa dele é vender 1.500 a 2 mil pares por mês com uma vitrine mundial na maior rede de comunicação.

A estratégia adotada pela empresa, Valéria Prado, atende inúmeros pedidos de consumidores e não deixa de ser uma ferramenta diferente no mercado, além de representar comodidade. “Estamos apostando nisso. As compras serão feitas como todas pela Internet e o cliente recebe o produto escolhido em sua casa, via correio.”

Na vitrine virtual, garante Nalio, serão disponibilizados todos os modelos e cores. “Acredito que existam poucas lojas virtuais no Brasil, especialmente com produtos atuais. A coleção verão vai estar disponível e outono/inverno estará exposta no final de fevereiro.”

No segmento há 16 anos, ele acredita que investir no parque industrial e em designer podem amenizar o impacto da crise no setor. Há dois anos ele adquiriu uma máquina italiana que permite cortes diferenciados e modelos mais arrojados.

Para ele, quem está com a empresa bem equipada e investiu em designer vai enfrentar a crise com mais tranqüilidade. “Não que vamos estar alheios, porque ela é mundial.”

Ele acha que em Jaú, a produção de calçado teve uma queda de cerca de 30% em relação ao ano anterior. “Constatamos esse percentual de queda nas vendas nos nossos parceiros em São Paulo e Rio de Janeiro. No Chile, onde temos clientes, as vendas perderam fôlego na mesma medida.”

O empresário acredita que este ano possa ter um aumento nas exportações. “Exportamos uma quantidade muito pequena, algo em torno de 5%. A tendência é aumentar exportação. O dólar deu uma melhorada boa e estamos mais competitivos lá fora.”

Na opinião de Nalio é fantasioso dizer que o produto chinês atrapalha as nossas vendas. “Jaú faz moda. O comprador de São Paulo escolhe um modelo e cor e nós entregamos em duas semanas. Na China é impossível fazer isso, eles fabricam em série. Uma entrega dessas demoraria pelo menos 120 dias. Eles não acompanham a evolução da moda e o sapato hoje é como a roupa muda semanalmente, é uma dinâmica muito grande.”

Da mesma opinião compactua o vice-presidente do Sindicalçados, Caetano Bianco Neto.

“O mercado interno no Brasil tem uma característica própria de comprar moda e Jaú sobrevive disso porque as grandes indústrias não têm a mesma agilidade que temos. Sempre faço um comparativo: as fábricas da região Sul são como um transatlântico e nós um jet-ski. Nós estamos dentro dos dois maiores mercados do Brasil, Grande São Paulo e interior de São Paulo. A gente praticamente lança a moda todo mês.”

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