Economia & Negócios

ICMS para Bauru cai no final de 2008

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 2 min

Os efeitos da crise financeira internacional começam a despontar também em Bauru. O repasse do Estado para o Município do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) caiu 7% do último trimestre de 2008 em relação ao trimestre anterior. A tendência apontada pelos números fará com que a Secretaria de Finanças recomende ao prefeito Rodrigo Agostinho a economia de parte do superávit herdado da gestão anterior.

O total a ser contingenciado do montante aproximado de R$ 20 milhões, no entanto, dependerá do desempenho econômico deste mês, já sob avaliação. Apesar dos números demonstrarem uma conjuntura perigosa, eles também revelam um viés positivo. O repasse do ICMS subiu 19,6% de 2007 para 2008. O percentual é bem maior em relação ao balanço entre 2007 e 2006, quando a alta foi de 10%. Ainda assim, é difícil manter o otimismo.

No ano passado, por exemplo, o resultado do último trimestre foi 7% melhor que o anterior (julho, agosto e setembro). Para piorar, o repasse de ICMS em outubro daquele ano foi de R$ 6.978.144,71, superior aos R$ 6.740.705,46 de outubro de 2008.

“Pelo menos no primeiro semestre, para a gente ver como a economia vai se desenvolver, o contingenciamento é necessário. Se de repente a crise não se configurar tão grande como os economistas esperam, no segundo semestre, pouco a pouco, vamos utilizando esse recurso”, explica o secretário de Finanças Marcos Roberto Garcia ao referir-se aos cerca de R$ 20 milhões em caixa.

Precaução

A postura de cautela é compartilhada pelo economista e professor da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (Fecap), Mauro Gallo. “Sou muito precavido. Acho que o contingenciamento já deveria começar. Segurar agora para não ter um problema maior mais para a frente”, comenta. No entanto, segundo sua avaliação, Bauru não sentiu tanto os efeitos da crise por algumas razões, como a fiscalização.

“Quando se torna mais efetiva, melhora a arrecadação. Temos também uma cidade em que muitos são funcionários públicos, aposentados, profissionais da área de Educação. Esses ainda não sentiram os efeitos da crise, vão sentir mais para frente. No primeiro semestre de 2009 vamos ter queda de atividades, que pode entrar para o segundo semestre”, acrescenta.

Também acredita que os efeitos da crise cheguem à cidade o delegado regional tributário da Delegacia Regional Tributária (DRT) de Bauru, Leandro Pampado. “Ainda não vejo com tanta gravidade essa queda, dado o fato de Bauru não possuir indústrias de maquinário pesado, como as automobilísticas. Foram elas as que mais sofreram com a crise. O País sentiu antes que Bauru”, conclui.

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