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Computador e videogame exigem limite

Juliana Franco
| Tempo de leitura: 3 min

Na era dos jogos eletrônicos, um estudo realizado com 360 crianças pelo oftalmologista do Instituto Penido Burnier, Leôncio Queiroz Neto, mostra que o uso abusivo de videogame e do computador pelas crianças durante as férias escolares pode levar à miopia transitória, dificuldade temporária de enxergar de longe. O resultado da pesquisa deve servir de alerta aos pais no sentido de limitar o tempo que as crianças podem ficar em frente dos aparelhos eletrônicos e também da necessidade de consultar um oftalmologista.

De acordo com Queiroz, a dificuldade de enxergar de longe pode se tornar um mal permanente, se a criança não for orientada a descansar a visão após cada hora em frente do micro. Sinal de problema, já que estudantes que não enxergam bem têm queda no rendimento escolar. A prova disso é um levantamento feito com professores e pais das crianças que receberam óculos no Mais Verão, projeto social desenvolvido pelo médico, que mostra que 50% dos estudantes tiveram melhora no rendimento escolar após usar óculos e 57% apresentaram maior capacitadade de concentração. Os pais notaram que 88% passaram a ter mais interesse pelos estudos e 91% passaram a realizar tarefas que antes não conseguiam.

Segundo pesquisa divulgada pelo Ibope/NetRatings, no mês de julho do ano passado, o número de pessoas com acesso à Internet residencial bateu recorde. No período de férias escolares, 23,7 milhões de internautas acessaram a rede mundial de computadores de casa, número 3,5% maior se comparado com o mês de junho do mesmo ano e 28% superior que os 18,5% milhões divulgados em julho de 2007. O número foi o maior apresentado desde o início da pesquisa, em 2000.

Por isso, o alerta do médico oftalmologista Marcelo Crivellari Creppe, de Bauru, é que os estudantes passem por exames oftalmológicos uma vez por ano e que os pais limitem o tempo de uso dos aparelhos pelos filhos. “Mas, apenas limitar o uso não adianta, pois muitas vezes a criança fica uma ou duas horas na frente do computador e quando o pai manda ela descansar, ela vai para a frente do videogame. O prejuízo é o mesmo”, afirma Creppe. “O fato é que toda pessoa que passa mais de duas horas na frente do computador pode desenvolver a síndrome de visão do computador, caracterizada por cansaço visual associado ao uso prolongado do computador”, acrescenta o médico.

Entre os sintomas da doença estão: olhos irritados ou vermelhos, sensação de olhos secos, coceira nos olhos, lacrimejamento, sensibilidade à luz, turvação visual, dificuldade em conseguir foco e enxaquecas. Segundo Creppe, o ser humano não está preparado para ler a tela de computador durante muitas horas. “Os monitores são compostos de pixels, minúsculos pontos, e o usuário tem que focar e refocar para manter as imagens bem definidas. Isso resulta em tensão dos músculos do olho e diminuição de sua capacidade de acomodação do foco e convergência dos olhos, induzindo à miopia transitória”, explica.

Além disso, o médico bauruense revela que todas as pessoas têm leves problemas de visão que não causam sintomas quando executam tarefas visuais menos exigentes. “Elas são percebidas apenas quando há o uso do computador por períodos prolongados. Assim como esporte demais não é recomendado, muita televisão, videogame e computador também não faz bem”, revela.

A estimativa do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) é que 12% das crianças precisam usar óculos. De acordo com a assessoria de imprensa da Secretaria Estadual de Educação, apesar de saber da importância de exames preventivos, a rede não possui nenhum programa específico na área oftalmológica. Mas todos os professores são orientados a entrar em contato com os pais dos alunos que apresentam dificuldade de aprendizado na sala de aula e os orientam a encaminhar o filho aos postos de saúde para exame.

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