Polícia

Laudo atesta dosagem alcoólica em policial morto por soldado em julho

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 3 min

O Jornal da Cidade teve acesso ao laudo dos exames toxicológico e de dosagem alcoólica requisitado pelo Instituto Médico Legal (IML) do soldado da Polícia Militar (PM) Luís Gustavo Carreira, morto após ser atingido por três tiros disparados pelo também soldado PM Halley Thiago Sossai, no ano passado. O resultado para tóxicos deu negativo. Já o exame de dosagem alcoólica apontou a concentração de um grama de álcool etílico por litro de sangue.

De acordo com o IML de Bauru, que ainda não recebeu o resultado, essa concentração significa que a vítima estaria alcoolizada. Para ser considerada embriagada, o resultado deve apontar de um grama a um grama e meio de álcool etílico por litro de sangue.

Porém, a lei que aumentou o rigor contra motoristas que consomem bebida alcoólica antes de dirigir passou a vigorar no dia 20 de junho, pouco mais de um mês antes da morte do policial. A partir do dia 20 de junho do ano passado, o motorista flagrado com mais de 0,1 mg de álcool por litro de ar expelido no exame do bafômetro ou 0,2 grama de álcool por litro de sangue perde o direito de dirigir por um ano. Acima de 0,3 mg por litro de álcool no ar expelido ou 0,6 grama por litro de sangue, a punição inclui também a detenção de seis meses a três anos.

Para a advogada Fernanda Cabello da Silva Magalhães, que representa Sossai, o laudo atesta a versão de seu cliente. “Esse resultado comprova a versão de Halley (Sossai). Para nós, é uma prova irrefutável”, afirma. “Se ele (Carreira) tivesse sido parado por outro policial, seria preso em flagrante”, avalia.

Já Adilson Sartorello, advogado que representa a família da vítima e que atua como assistente de acusação no processo, avalia que ainda não há justificativa para a morte de Carreira. “Não leva a crer que a versão do acusado seja tão verídica, de que ele (Carreira) estaria ziguezagueando pela pista. Mas mesmo que seja, não é justificativa para perseguir alguém e chegar ao resultado que chegou”, pondera. “A atitude dele é inadmissível a ponto de despertar uma perseguição indevida e uma abordagem equivocada como foi”.

O resultado dos exames toxicológico e de dosagem alcoólica ainda não foram anexados ao processo, que corre pela 4.ª Auditoria do Tribunal de Justiça Militar (TJM) do Estado de São Paulo. O processo e o julgamento do réu são feitos por um Conselho de Justiça, presidido pelo juiz e composto também por quatro oficiais da Polícia Militar. Após a fase de depoimentos, o TJM pode solicitar mais diligências e produção de provas sobre o caso. Em seguida, de acordo com o Código do Processo Penal Militar, defesa e acusação apresentam por escrito suas alegações e é marcado o julgamento.

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Como foi

Luís Gustavo Carreira foi morto pelo soldado Halley Thiago Sossai na noite de 26 de julho do ano passado, em frente à casa, na Vila Monlevade, em Bauru. Ambos são naturais da cidade, mas não trabalhavam no município. Halley é lotado em Piracicaba e Carreira, atuava em Lençóis Paulista. Os dois estavam de folga e à paisana no momento dos disparos.

Segundo a versão de Halley, ele se deparou com o veículo dirigido perigosamente por Carreira na rodovia Marechal Rondon e passou a acompanhá-lo, depois que o rapaz entrou na cidade.

Quando pararam os respectivos automóveis em frente à casa de Carreira, teria havido uma discussão e os disparos foram feitos. Carreira chegou a ser socorrido, mas não resistiu. Halley alega que disparou em legítima defesa. Ele foi preso em flagrante e permaneceu no presídio militar Romão Gomes até o dia 28 de agosto, quando foi solto. Ele responde ao processo em liberdade e segue realizando serviços internos na PM de Piracicaba.

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